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Investigação à vista

CB, Política, p. 10
08 de Mai de 2008

Investigação à vista
Parlamentar sugere à Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do RS que crie comissão para apurar devastação causada por plantações de eucalipto no estado e no Uruguai

Lucio Vaz
Da equipe do Correio

O deputado estadual Dionilso Marcon (PT) sugeriu ontem à Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul a formação de uma comissão de deputados para verificar a situação dos municípios gaúchos que plantaram eucaliptos e das áreas cultivadas com árvores exóticas no Uruguai. Uma série de reportagens publicadas pelo Correio a partir do último domingo mostra que três grandes empresas produtoras de celulose estão investindo R$ 10,7 bilhões no Rio Grande do Sul, onde pretendem adquirir 440 mil hectares para implantação de suas florestas de eucaliptos. Uma das reportagens mostra a degradação ao meio ambiente já registrada no município de Mercedes, no Uruguai, país que já conta com 700 mil hectares plantados.
Marcon afirma que, no Uruguai, os agricultores já estão se mobilizando para evitar o plantio de novas florestas e para substituir as plantações de eucaliptos por alimentos. "A escassez de água, o aumento da miséria e a diminuição da área plantada de alimentos são parte do cenário dos desertos verdes.
É preciso discutir este modelo para ver se é isto mesmo que querem para o Rio Grande do Sul", defendeu o parlamentar.
Para Marcon, o plantio de árvores exóticas em larga escala na metade sul do estado está longe de ser uma solução para alavancar o desenvolvimento da região. "Nem os empregos que prometem são reais. A plantação de eucaliptos usa pouca mão-de-obra no plantio, e a derrubada das árvores é mecanizada", argumentou.
O deputado petista também questionou a mudança na extensão da faixa de fronteira, de 150 quilômetros para 50 quilômetros, conforme prevê proposta de emenda constitucional (PEC) em tramitação no Senado Federal. Segundo Marcon, a alteração "serve apenas para atender interesses econômicos de empresas internacionais e permitir o cultivo de florestas nas divisa do Rio Grande do Sul com outros países". A PEC 49/2006 é de autoria do senador gaúcho Sérgio Zambiasi (PTB).
A série do Correio registrou que poços e riachos localizados próximos aos maciços de eucaliptos, em Mercedes, no distrito de Serro Alegre, secaram nos últimos anos. Agricultores estão abandonando a região por causa da escassez de água. O Movimento dos Agricultores da Região de Mercedes já conta com 150 adesões. Naquele país, atuam as multinacionais Botnia (finlandesa) e Ence (espanhola).
As reportagens também mostraram a preocupação de agricultores do Rio Grande do Sul com a possibilidade de escassez de água nos próximos anos, um vez que o início do plantio das árvores, nessa nova ofensiva das papeleiras, ocorreu há três ou quatro anos no estado. A metade sul do estado está dividida em três áreas: a Fronteira Oeste, com a Stora Enso, a Zona Sul, com a Votorantim, e a Depressão Central, com a Aracruz.

CB, 08/05/2008, Política, p. 10

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