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Investigação contratada pela Vale aponta que mineradora sabia de problema em Brumadinho desde 2003

OESP, Metrópole, p. A10
21 de fev de 2020

Investigação contratada pela Vale aponta que mineradora sabia de problema em Brumadinho desde 2003

Mineradora divulgou relatório de um comitê formado para investigar o rompimento que deixou 259 mortos e 11 desaparecidos em 2019. Medidas adotadas para diminuir as fragilidades e aumentar a segurança da barragem foram "limitadas e malsucedidas"

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo
20 de fevereiro de 2020 | 22h14
Atualizado 20 de fevereiro de 2020 | 22h38

No mesmo dia em que divulga seus resultados do quarto trimestre de 2019, a Vale disponibilizou também o relatório do Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário formado pela mineradora para investigar o rompimento da barragem B1, em Brumadinho (MG), que deixou centenas de mortos. E segundo essa apuração, pelo menos desde 2003 a Vale tinha informações que indicavam a condições frágil da barragem, além de informações anteriores à aquisição da Ferteco, que operava a mina do local.

Segundo o comitê, liderado pela ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, em 2016 e 2017 foram realizados estudos que indicavam que a barragem estava em situação de fragilidade, "mas a área geotécnica da Vale ofereceu resistência quanto à aceitação dos resultados obtidos em 2017", diz o documento.

A investigação concluiu que o rompimento ocorreu por instabilidade estrutural com liquefação, causada por drenagem interna inadequada com elevado nível freático no reservatório, deformação lenta dos rejeitos, e a estrutura da barragem não projetada para conter material liquefeito.

O grupo afirma que as medidas adotadas para diminuir as fragilidades e aumentar a segurança da barragem foram "limitadas e malsucedidas", e mesmo que houvesse um descomissionamento com remineração dos rejeitos, a medida não seria eficiente a curto prazo para melhorar a estabilidade da B1 "a condições satisfatórias".

Outro ponto levantado pelo documento diz respeito ao conhecimento do fato de que a Vale tinha capacidade limitada de resposta em caso de rompimento, e que os impactos seriam significativos, principalmente sobre as instalações administrativas, com tempo de reação mínimo.

"Em que pese o conhecimento das fragilidades da B1 e do impacto de seu eventual rompimento, não foram identificadas evidências de estudos e/ou medidas visando a remoção das instalações administrativas a justante da B1", diz o documento.

O relatório diz também que não foram identificadas evidências de discussões sobre a paralisação da B1 ou seus problemas de segurança no conselho de administração, comitês de assessoramento ou na diretoria. As apresentações davam ênfase à segurança das barragens, por conta da obtenção das Declarações de Controle de Estabilidade (DCEs).

Por fim, o comitê fez uma lista de 25 recomendações a serem tomadas pela Vale para aumentar a segurança das barragens e melhorar a governança corporativa. No documento, o grupo ressalta ainda que não tem o poder de requisitar qualquer tipo de punição aos responsáveis.

No Fato Relevante que informa sobre a publicação do relatório, a Vale afirma que a maior parte das recomendações diz respeito a temas que já são tratados pela companhia por meio de diversas ações para melhorar seus controles internos. Em até 30 dias, a Vale vai divulgar um cronograma de implementação destas ações.

OESP, 21/02/2020, Metrópole, p. A10

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