O Globo, O País, p. 19
02 de Mai de 2004
Inventário de recursos naturais da Amazônia nunca foi usado pelo governo
Banco de dados feito pelo IBGE em convênio com Sivam foi concluído há um ano
Se o Ministério das Minas e Energia quiser mais informações sobre as riquezas minerais da Amazônia, para planejar melhor os US$ 300 milhões (cerca de R$ 900 milhões) que a ministra Dilma Rousseff já anunciou que pretende investir ao ano em pesquisa mineral no país, uma boa idéia é bater na porta do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subordinado ao Ministério do Planejamento, e pedir ajuda aos técnicos do "g" da sigla, a área de geociências.
Graças ao um convênio firmado com o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), há seis anos, para fazer um inventário dos recursos naturais da Amazônia Legal, é possível cruzar dados referentes aos bens minerais existentes na região com outras informações, como as reservas localizadas em terras indígenas e áreas de preservação ambiental, relevo, vegetação, agricultura e população.
O mapeamento da Amazônia Legal é um banco de dados com as informações fornecidas pelos diferentes órgãos - o próprio DNPM e o CPRM, Ibama, Embrapa etc - postas numa mesma escala (o que permite cruzar os dados) e outras obtidas com a tecnologia do Sivam. Essa ferramenta de geoprocessamento, de grande valor para quem pretende prospectar riquezas na floresta e planejar sua exploração de forma sustentável, permanece ainda hoje, um ano após sua conclusão, à espera dos técnicos do governo. Jamais foi consultada por um único responsável sequer por planejamento na área governamental
Tecnologia para planejar
A palavra não está no dicionário, mas geoprocessamento - o processamento de dados geográficos que gera informações para a tomada de decisão - ganha cada vez mais destaque como ferramenta de planejamento com a introdução de novas tecnologias. Conceito surgido na Inglaterra no século XIX, o geoprocessamento permite hoje simular cenários e planejar políticas de desenvolvimento com muito mais probabilidade de acerto graças aos recursos da informática, dos satélites e do GPS.
É o caso de cruzar dados de existência bens minerais na Amazônia com áreas de preservação, ou delimitar jazidas com mais precisão, reduzindo o tempo de concessão de licença para a exploração.
Segundo o engenheiro cartógrafo João Bosco de Azevedo, do IBGE, toda a informação que está na superfície da Terra pode ser localizado com precisão, graças aos satélites e às coordenadas fornecidas pelo GPS, e tornar-se ferramenta para o planejamento governamental em diferentes áreas.
O Globo, 02/05/2004, O País, p. 19
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