VOLTAR

Instituto reforça projeto que vai resgatar tradição das embarcações artesanais no Brasil

ICMBio - www.icmbio.gov.br
Autor: Elmano Augusto - elmano.cordeiro@icmbio.gov.br
23 de Out de 2008

O Instituto Chico Mendes assinou nesta quarta-feira (22) protocolo de intenções com o Iphan e outros órgãos do governo federal para integrar o projeto Barcos do Brasil. O projeto visa resgatar a tradição da construção e uso das embarcações artesanais no País. Além de identificar nas reservas extrativistas mestres-construtores que possam transmitir seus conhecimentos aos mais jovens, o Instituto se comprometeu a repassar a madeira apreendida em operações nas unidades de conservação para as comunidades tradicionais fabricarem seus barcos. A ação mais significativa, no entanto, será a retomada da antiga técnica de construção das jangadas de pau, feitas de troncos de Piúba, uma árvore que é preservada em uma reserva extrativista na Bahia.

O Brasil detém uma das maiores diversidades de barcos no mundo. Supera países com história naval mais rica, como Inglaterra e Noruega, por exemplo. Muitas das nossas embarcações marcam de forma indissolúvel paisagens brasileiras. Simbolizam cidades ou regiões, como a canoa na Amazônia, a jangada no Nordeste e os saveiros na Bahia. Além disso, são fonte de renda para muita gente. O projeto busca preservar todo esse patrimônio social e cultural, fortemente ameaçado.

O Instituto atuará em duas frentes. Na primeira, identificando entre as populações tradicionais que moram dentro ou no entorno de reservas extrativistas de todo o País os antigos mestres-construtores de embarcações. Eles serão chamados a participar de oficinas para transmitir aos mais jovens os seus conhecimentos sobre construção naval, carpintaria e pintura de barcos.

Na outra, o Instituto reforçará uma das mais importantes ações do projeto: a retomada da tradicional técnica de fabricação das jangadas de pau, que praticamente desapareceram do litoral nordestino, substituídas por embarcações feitas até com canos de PVC.

Para isso, técnicos do instituto localizaram na Reserva Extrativista Canavieiras, na Bahia, uma área de remanescentes da Piúba, árvore cujos troncos eram usados antigamente na fabricação das jangadas. A árvore produz uma madeira muito leve, que flutua com facilidade no mar. A preocupação agora é definir como será feito o uso sustentável da madeira.

Ainda nessa linha, o Instituto identificou o único mestre-jangadeiro vivo no Brasil. Ele mora em Alagoas e será convidado a dirigir oficinas de formação de novos mestres. Os seus alunos terão a missão de retomar e dar continuidade à tradição das jangadas de pau, feitas de Piúba, que enchiam de vida o litoral nordestino com suas velas coloridas.

"Atuamos em defesa da diversidade da natureza, mas com o foco no homem. Preservar a diversidade cultural também é uma das nossas preocupações. Por isso, estamos participando desse projeto", discursou o presidente do ICMBio, Rômulo Mello, na cerimônia de assinatura do protocolo e lançamento do grupo de trabalho, no auditório do pavilhão onde ocorre a Semana de Ciência e Tecnologia, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Na ocasião, Rômulo deu uma boa notícia: por acordo firmado entre os ministérios do Meio Ambiente e da Cultura, o Instituto vai repassar ao projeto parte da madeira ilegal, apreendida nas operações de combate a crimes ambientais nas unidades de conservação. "Essa madeira, que é fruto de atos ilícitos, será revertida para o bem, será entregue às populações tradicionais para a construção de seus barcos", anunciou o presidente.

A cerimônia contou com a presença de representantes dos órgãos que vão compor o grupo interministerial responsável pelo projeto Barcos do Brasil - ministérios da Educação, Integração Nacional, Ciência e Tecnologia e Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, além da Unesco, que dá apoio institucional à iniciativa.

No pavilhão onde ocorre a Semana de Ciência e Tecnologia, que segue até o próximo domingo (26), os visitantes poderão obter mais informações sobre a história naval brasileira e apreciar uma exposição de miniaturas de embarcações de várias partes do País, organizada pelo Museu Nacional do Mar, que tem sede em São Francisco do Sul, no litoral de Santa Catarina.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.