O Globo, Rio, p.16
08 de Set de 2004
Indústrias: a maior causa de conflito ambiental
Tulio Brandão
O Rio sempre sofreu com a falta de saneamento em áreas urbanas, porém, o que mais incomoda a população são os danos ambientais provocados pelas indústrias. O Mapa dos Conflitos Ambientais do estado, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), pela UFRJ e pela ONG Fase, revela que 72% dos conflitos ambientais registrados entre 1992 e 2002, em áreas pobres de 49 municípios do Rio, são relacionados a atividades industriais.
Os pesquisadores levantaram, com a Feema e o Ministério Público, 183 denúncias sobre problemas na atividade industrial, 48 de falta de saneamento, dez de saneamento somado a problemas industriais e ainda dez de agressões ao meio ambiente de outros tipos.
Novas zonas de degradação vão ser identificadas
O professor do Ippur/UFRJ e coordenador do estudo, Henri Acselrad, admite a possibilidade de que a adaptação da população ao convívio com o esgoto sem tratamento seja a causa do número relativamente baixo de denúncias:
A representação da falta de saneamento não é muito expressiva. O povo vive com o pé no esgoto, mas as denúncias são geradas apenas em casos agudos, como eventos industriais. Neutralizar um resíduo dessa atividade é mais difícil.
Entre os 251 conflitos, 37 casos foram relacionados a vazadouros de lixo. Há ainda conflitos associados à disposição inadequada e lançamento clandestino de resíduos tóxicos, à poluição do solo, do ar e da água, à atividades de prospecção de petróleo, à instalação de resorts, à atividade mineradora e ao vazamento de óleo.
O pesquisador Felipe Caixeta, do projeto Brasil Sustentável e Democrático da Fase, explica que o mapa será atualizado:
Vamos prosseguir em busca de registros de agressão ambiental entre a população de baixa renda. Novas zonas atingidas serão identificadas.
O Globo, 08/09/2004, p. 16
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