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Indústria também tem lista de demandas

OESP, Política, p. A5
02 de Jan de 2014

Indústria também tem lista de demandas
Assim como agronegócio, que já faz encontros com candidatos, dirigentes vão levar reivindicações para estimular o setor produtivo

Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Em um esforço para pautar o debate político das próximas eleições, organizações de classe prepararam agendas para apresentar aos candidatos à Presidência da República. É o caso da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que está elaborando 43 projetos aos presidenciáveis com o objetivo de aumentar a competitividade do País. Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) deve entregar uma radiografia completa do setor aos concorrentes ao Palácio do Planalto.

Em eleições presidenciais anteriores, a CNI apresentou uma proposta do setor industrial - a diferença é que, agora, será de forma mais minuciosa. O objetivo é entregar as propostas aos candidatos logo após a formalização das candidaturas, em meados do ano.

Os projetos elaborados pela entidade dizem respeito a áreas consideradas pilares da competitividade: educação, ambiente macroeconômico, eficiência do Estado, segurança jurídica e burocracia, desenvolvimento de mercados, relações de trabalho, financiamento, infraestrutura, tributação e inovação e produtividade.

"Tanto o setor privado quanto os governos nas diferentes esferas estão prontos para ter um diálogo mais sofisticado", disse o diretor de políticas e estratégia da CNI, José Augusto Fernandes. A confederação pretende promover um debate com os presidenciáveis, repetindo o roteiro de eleições passadas. Desburocratização tributária e o aumento da eficácia na execução de projetos são considerados, dentro do setor, alguns dos assuntos mais urgentes para entrar em pauta.

Demarcação. Foco de tensão entre o governo e a bancada ruralista, a PEC 215 deverá ser uma das principais bandeiras levantadas pela CNA na próxima eleição, substituindo a discussão que se formou na campanha presidencial anterior, em 2010, em torno do Código Florestal. O governo Dilma Rousseff é contra a aprovação da PEC, que dá ao Congresso a palavra final sobre a demarcação de terras.

Presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) gosta de Dilma e é pessoalmente simpática à reeleição da petista, que a recebeu de "braços abertos" no Planalto para discutir os gargalos de infraestrutura. Em outubro, a senadora deixou o PSD para se filiar no PMDB.

Para Kátia, a importância estratégica da agricultura na economia brasileira ajudou a "exorcizar alguns demônios". Uma prova dessa mudança, segundo a senadora, é que hoje são os candidatos que estão "correndo atrás" de líderes do setor. "Nos honra muito que os candidatos nos procurem, porque isto significa que a agropecuária estará no centro dos debates das eleições presidenciais de 2014", afirmou Kátia Abreu, em entrevista em 11 de dezembro.

De acordo com a senadora, a CNA vai decidir no tempo certo a forma apropriada de encaminhar as demandas aos presidenciáveis. Uma ideia é entregar uma radiografia completa do setor nas mãos de cada candidato, para destacar o agronegócio no debate político.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por sua vez, considera "prematura a publicidade de demandas setoriais para os presidenciáveis". Mas a entidade lista questões emblemáticas que devem ser enfrentadas pelas diferentes esferas governamentais, como a modernização da legislação trabalhista, a adequação da política previdenciária à nova realidade demográfica e a redução do déficit da infraestrutura.

Quem é quem
Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Criada em 1938, representa diversos setores da indústria brasileira, que responde por um quarto da economia nacional. Tem papel de destaque na apresentação de políticas e leis para fortalecer o setor produtivo e modernizar o País.

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
Desde 1951 defende interesses e direitos do setor agropecuário, com a missão de "representar, organizar e fortalecer" os produtores rurais brasileiros.

Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)
Fundada em 1945, representa cerca de 4,5 milhões de empreendedores do comércio de bens, serviços e turismo do País. Essas categorias respondem por cerca de 25% do PIB brasileiro e geram 25 milhões de empregos.

OESP, 02/01/2014, Política, p. A5

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