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Indústria investe mais em proteção ao ambiente

OESP, Vida, p. A27
27 de Jan de 2007

Indústria investe mais em proteção ao ambiente
Valor cresceu 84% de 1997 a 2002, quando somou R$ 4,13 bi

Jacqueline Farid

Os investimentos das indústrias em controle ambiental cresceram 84% de 1997 a 2002, ano em que somaram R$ 4,13 bilhões. O movimento, registrado em pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi liderado pelo segmento de refino de petróleo, responsável por quase a metade (42%) do total investido pelo setor industrial na proteção do meio ambiente.

Paulo Gonzaga, técnico do IBGE, atribui a liderança do refino ao megadesastre ambiental provocado pela Petrobrás na Baía de Guanabara em 2000, com o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo.

Liderado pela empresa, o segmento de fabricação de coque (tipo de carvão), refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool aumentou o valor investido em controle ambiental de R$ 360,8 milhões em 1997 para R$ 1,74 bilhão em 2002.

Gonzaga explica que a pesquisa divulgada ontem não é uma estatística de resultados, mas dos esforços das empresas, ou seja, mapeia os investimentos, mas não as suas conseqüências no meio ambiente. Segundo ele, as empresas vêm sendo pressionadas pelas regras do mercado internacional - especialmente as exportadoras - e pela pressão da sociedade.

Daniela Abrantes, doutora em Administração e professora de Marketing do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) disse que os consumidores, especialmente os de poder aquisitivo mais elevado, estão cobrando cada vez mais uma posição das empresas em relação ao meio ambiente e pagam, inclusive, preços mais elevados por produtos ambientalmente corretos. "Há um papel político no consumo", diz.

Nesse cenário, Gonzaga considera muito favoráveis os dados que mostram que enquanto 3,6% das empresas industriais do País investiam em controle ambiental em 1997, esse porcentual subiu para 5% em 2002. "O porcentual pode parecer pequeno, mas não é", disse ele, argumentando que esses 5% correspondiam a 48% da renda gerada pela indústria em 2002. "Quase metade da produção industrial do País ocorre com controle ambiental."

Além do refino de petróleo, os setores que mais investiam em controle ambiental em 2002 eram papel e celulose (15% do total destinado a meio ambiente), metalurgia básica (10,4%), alimentos (6,6%) e produtos químicos (6,4%).

Ele acredita que a tendência, de 2002 para cá, é de crescimento no investimento industrial em controle ambiental. A próxima pesquisa industrial do IBGE sobre controle ambiental será realizada no ano que vem e vai se referir a 2006.

RANKING

Petróleo e combustíveis: R$ 1,74 bilhão

Papel e celulose: R$ 641 milhões

Produtos de vidro, cimento e cerâmica: R$ 431 milhões

Alimentos e bebidas: R$ 273 milhões

Álcool e combustíveis nucleares: R$ 262 milhões

Equipamentos médicos: R$ 206 milhões

Produtos de metal: R$ 68 milhões

Artigos de borracha e plástico: R$ 60 milhões

Produtos químicos: R$ 43 milhões

Têxteis: R$ 42 milhões

OESP, 27/01/2007, Vida, p. A27

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