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Índios vão resistir

Amazonas Em Tempo-Manaus-AM
Autor: Márcia Daniella
07 de Jan de 2005

O dia de ontem na sede da administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), rua Maceió, foi tenso. O motivo era uma informação recebida pelos quase 200 índios acampados de que o presidente do órgão, Mércio Pereira Gomes, teria se recusado a vir a Manaus e já teria pedido à justiça a reintegração do posse do prédio. Em meio a danças para manter a união dos guerreiros, os índios estavam se preparando para a qualquer momento resistir a possível chegada da Polícia Federal, que será a responsável por cumprir o mandado, caso ele seja expedido.

Ainda ontem, os indígenas, com auxílio de advogados de organizações não governamentais, deveriam encaminhar ao Tribunal de Justiça do Amazonas pedidos de habeas corpus preventivo e agravo para evitar que membros do movimento sejam presos e o prédio seja retomado. O membro da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Estevão Tucano, 40, confirmou que houve um contato no início da manhã com Mércio Gomes. De acordo com o indígena, o presidente da Funai teria afirmado que não virá a Manaus conversar com os acampados porque houve a invasão do prédio. "Ele disse que nunca foi a uma invasão e não virá. Também informou que pediu a reintegração. A qualquer momento a Polícia Federal pode vir", comentou Estevão.

Ele destaca que os índios acampados na Funai Manaus tiveram conhecimento que Mércio Gomes deverá viajar para Rondônia neste final de semana para se reunir com os "Cinta-larga". "Perguntamos a ele se não poderia aproveitar e vir a Manaus já que estará em Rondônia, mas ele disse que não virá", lamentou.

Estevão acrescentou que com a negativa da Funai Brasília, o movimento terá que recorrer ao Ministério da Justiça e se possível ao próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção foi confirmada pelo presidente da COIAB, Gecinaldo Saterê Maué. De acordo com ele, o movimento também está preparando uma carta que será enviada à Anistia Internacional, Organização dos Estados Americanos e imprensa estrangeira. "Se houver reintegração de posse com conflito e os jornais internacionais denunciarem será uma vergonha para o governo brasileiro", avaliou.

A informação que os acampados possuem é de que o pedido de reintegração de posse ainda não teria sido apreciado pela justiça. Gecinaldo ressaltou que o presidente regional do Partido dos Trabalhadores, João Pedro Gonçalves, também enviou carta ao presidente nacional do partido, José Genoíno, para que ele interceda pela abertura de negociação com o Ministério da Justiça.

O presidente da COIAB alerta que a reintegração de posse em Manaus não acarretará conflitos apenas na capital. Segundo ele, pode haver desentendimentos entre indígenas que estão nas áreas e os não índios. Gecinaldo lamentou a falta de diálogo com a Funai Brasília. "Tentamos negociar, mas declararam guerra contra nós", frisou.

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