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Índios usam tablets, celulares e drones para monitorar castanhais e mapear áreas de coleta em MT

G1 https://g1.globo.com
27 de mai de 2019

Os povos indígenas da etnia Rikbaktsa da região noroeste de Mato Grosso estão utilizando a tecnologia de geolocalização para monitorar os castanhais e mapear novas áreas de coleta na região. Além de fazer parte da cultura alimentar deles, a castanha-do-brasil também é fonte de renda para os Rikbaktsa.

O coordenador técnico do projeto, Emerson de Oliveira, contou ao G1 que os indígenas realizam o monitoramento e mapeamentos dos castanhais por meio de tablets, celulares e drones.

"O uso do drone é feito para localizar outras castanheiras, que não são encontradas por vias terrestre. Com essa tecnologia, eles podem monitorar a evolução das plantas nos próximos anos", explicou.

Segundo Emerson, os Rikbaktsa estão sendo acompanhados por uma equipe técnica do projeto Pacto das Águas desde agosto do ano passado. No entanto, somente neste ano a tecnologia foi colocada em prática.

"Teve uma sessão de treinamento até o fim do ano passado e agora começou a fase de implementação. Eles aderiram bem, mas o processo é lento, pois eles já possuem uma cultura de empoderamento e, talvez, essa seja a principal barreira", pontuou.

O objetivo, segundo o coordenador, é que até o fim do ano os indígenas possam mapear 100 castanhais usando a tecnologia.

A produção anual de castanha da Associação Indígena Rikbaktsa Tsirik e da Associação Indígena Abanatsa é de 120 toneladas de castanha. Juntas, as duas terras também protegem 321,4 mil hectares de floresta amazônica nos municípios de Juara e Cotriguaçu, a 690 km e 920 km de Cuiabá, respectivamente.

"O objetivo é que eles possam se posicionar melhor durante as discussões, pois eles vão conhecer melhor a floresta. É uma forma de integrar o conhecimento tradicional dos anciões com a tecnologia utilizada pelos jovens atualmente", explicou.

Emerson ressaltou ainda que, com o uso da geolocalização, os povos indígenas poderão consolidar outros planos ambientais e territoriais, podendo, assim, evitar o desmatamento e monitorar outras culturas que fazem parte da economia deles.

Selo nacional
Em janeiro deste ano, os índios das comunidades Japuíra, no município de Juara, e Escondido, no município de Cotriguaçu, obtiveram o Selo Nacional da Agricultura Familiar Indígena, destinado à identificação dos produtos da produção do indígena na agricultura familiar emitido pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário.

De acordo com o coordenador, o selo vai garantir mais credibilidade ao produto, que terá procedência comprovada e, consequentemente, possibilitará maior rentabilidade aos índios.

Na safra atual, a produção deles obteve o preço médio de R$ 5,50 o kg.

Somente nessa safra, as duas associações já produziram e comercializaram 80 toneladas de castanha, o que representa uma geração de renda de mais de R$ 400 mil oriundos de fonte sustentável.

https://g1.globo.com/google/amp/mt/mato-grosso/noticia/2019/05/27/indio…

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