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Índios Tapirapés ameaçam expulsar posseiros de área à bala

Diário de Cuiabá-MT
27 de set de 2001

Índios tapirapés advertem que se a Justiça continuar morosa expulsarão à bala posseiros da reserva Urubu Branco (1.100 quilômetros a Nordeste de Cuiabá). Eles acusam o prefeito de Confresa, Iron Marques Parreira (PSDB), de fomentar invasão de suas terras. Iron nega que haja posseiros na área indígena.
Ontem, o cacique-geral dos tapirapés da reserva Urubu Branco, Xywaeri Tapirapé, acompanhado por outros representantes da etnia, denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) em Cuiabá, que aproximadamente 10 mil hectares de suas terras estariam ocupados por posseiros. A queixa dos índios foi respaldada pelo administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) de São Félix do Araguaia, Georthon Aurélio Lima Brito.
Xywaeri deixou o MPF preocupado. Segundo ele, o procurador José Alexandre Pinto Nunes ouviu a queixa mas não apresentou solução para o problema. Alexandre não falou com os jornalista, mas pela versão do cacique, limitou-se a programar uma ampla reunião em Brasília com representantes da Funai e do Incra para criar um grupo de trabalho que estudaria o caso.
A preocupação não ficou restrita a Xywaeri. Além dele, Inamoreo Tapirapé também estava com o pé atrás. Inamoreo disse que os índios sempre cumprem a lei dos brancos, mas que diante da protelação para a desocupação de parte de suas terras, as lideranças indígenas tomaram algumas medidas. Compramos armas e vamos tirar os posseiros de um jeito ou de outro, admitiu.
A protelação citada por Inamoreo não é outra coisa senão uma enervante burocracia que se arrasta há anos com os índios tentando a retirada dos posseiros, e esses, se mantendo em seus lotes indiferentes à tentativa de reconquista da terra.
Os tapirapés não aceitam mais a presença dos posseiros e os acusam também por crime ambiental: estariam desmatando suas posses para a retirada de pau-brasil, madeira muito procurada por serrarias da região.
A ocupação ilegal que estaria ocorrendo nas terras dos tapirapés, segundo eles, tem um mentor: o prefeito de Confresa, Iron Parreira. Inamoreo explicou que Iron teve uma fazenda invadida e que teria negociado com os sem-terra que ocuparam sua área e os assentados em parte da reserva Urubu Branco.
Iron não aceita a acusação. O prefeito assumiu que ele e 11 dos 12 vereadores de Confresa defendem um grupo de aproximadamente 135 posseiros que ocupam uma área de 10 mil hectares nas imediações de Urubu Branco.
Na versão de Iron está ocorrendo um equívoco proposital ou não. Em outras palavras o prefeito explicou que a área de Urubu Branco é de 157 mil hectares, mas que os índios teimam que têm direito sobre 167 mil hectares. A diferença de 10 mil hectares é o ponto de discórdia.
Numa coisa índios e Iron concordam: Urubu Branco é uma reserva com definição fundiária. E isso ocorreu quando da delimitação da área pelo Decreto 599, de 2 de outubro de 1996 e por decreto homologatório sem número de 8 de setembro de 1998.
A situação de Urubu Branco é complicada. Quem admite isso é Georthon Aurélio. Ele não esconde que a Funai terá que compor com os posseiros que estariam na área, para evitar problemas sociais.

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