Diário Catarinense-Florianópolis-SC
Autor: DARCI DEBONA
26 de Abr de 2005
Líderes de todo o país participam de movimento em favor da demarcação de reservas
Lideranças indígenas de todo o país realizam hoje uma audiência em Brasília, às 9h, na mobilização Terra Livre. Os indígenas reclamam demarcação de terras. Em Santa Catarina, uma das situações mais complicadas é a dos guarani.
Em Chapecó, 126 pessoas, de 19 famílias, vivem numa área de oito hectares, emprestada pelos kaingang de Toldo Chimbangue. O cacique João Barbosa disse que há mais indígenas espalhados por outras regiões que gostariam de integrar a comunidade, mas falta espaço e infra-estrutura.
Durante a estiagem, as famílias tiveram de tomar banho no Rio Irani e só não passaram sede por que tiveram ajuda do Conselho Indigenista Missionário e da Fundação Nacional de Saúde. Agora, uma das maiores preocupações é com a falta de alimentos, já que a colheita foi frustrada e diminuiu a oferta de serviço nas propriedades rurais da região.
Os guarani moram há quatro anos no local. Barbosa reclama da demora da Fundação Nacional do Índio (Funai) em publicar o relatório sobre o estudo antropológico de uma área de 2721 hectares em Araçaí, entre os municípios de Saudades e Cunha Porã.
Comunidade tenta preservar costumes
Os guarani afirmam que a área é terra indígena. Os agricultores que moram na região contestam, mostrando escrituras de compra da área.
Enquanto isso, a comunidade tenta manter sua unidade preservando costumes indígenas. A professora Maria Cecília Barbosa ensina o guarani junto com o português. Os alunos também aprendem artesanato e culinária típica.
Keila Mariano de Moraes, sete anos, adotou o nome indígena Yva, que significa Céu. Ela gosta de preservar a tradição guarani e vai à aula usando cocar. Sua colega Idione Barbosa tem nome indígena Krexu (Mãe do Céu) e gosta de cantar em Guarani.
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