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Índios querem indenização para deixar parque de Brasília

Paraíba.com.br
14 de mar de 2008

Um grupo de índios, não chegam a 30, vindos do nordeste, com remotos sinais da cultura do seu povo, construiu casa, pobre, de alvenaria, bem diferente das ocas, em pleno Parque Burle Marx, valorizada zona urbana no Plano Piloto de Brasília. São de várias tribos diferentes que se juntaram na Capital Federal aos poucos, mais por necessidade de sobrevivência do que afinidade cultural.

Guardam muito pouco, quase nada, da cultura original indígena. Só alguns raros ainda falam um pouco da língua tribal. Só se vestem de índio para aparecer na TV e em jornais. Não guardam arcos, flechas, nem tacapes, não caçam, nem pescam. Uns poucos ganham renda da Funai, outros vivem de pequenos serviços feitos na vizinhança, outros fazem apresentações de danças indígenas em escolas. Cultivam pequena roça nos fundos da casa e compram ou ganham comida no comércio da vizinhança.

As "tribos" viveram anos no cerrado do parque despercebidas, desconhecidos, mas agora viraram notícia em jornais nacionais. Isso porque o governo do Distrito Federal irá construir um bairro de classe média no local, o chamado Setor Noroeste.

A notoriedade repentina lhes trouxe fama e algum descontentamento. Notícias sobre índios comendo cachorros e se negando a sair da área por ali ser um antigo cemitério indígena foram divulgadas. O fato causa grande constrangimento entre a maioria dos moradores. "Cada coisa que dizem", sussurra uma das índias.

Ao contrário da "guerra pela área", os índios querem mesmo é tentar uma nova vida fora dali. Neta de um índio da etnia Tuxá, Edinalva Cavalcante, que reside no local desde 1979, alega que o ideal para a saída dos índios do local, seria o pagamento de uma indenização.

"Se for só dar um terreno para morar, não vamos dar conta. Aqui já construímos uma casa. Agora se der indenização nós saberemos o que fazer quando sair daqui. Eu quero poder comprar uma casa", desabafou.

A Funai não reconhece o território como indígena, mas defende que o governo do DF destine alguma área próxima à do Parque para as famílias que serão desalojadas.

Entre os índios do local, os que guardam um pouco da tradição são os Kariri-Xocó, que há cerca de 10 anos saíram de Alagoas para Brasília. Quando questionado se valeu a pena deixar a terra natal e a tribo para tentar a vida na capital, o líder, Ururai, responde que sim.

"Aqui consegue se trabalhar mais. A Funai dá passagem para gente fazer espetáculo em outros lugares. Em Alagoas o povo não dá nem um real. Não dá dinheiro para jovem. Só o aposentado ganha dinheiro lá", afirmou.

Sobre a vontade de ficar na terra a qualquer custo, Ururai alegou que a história não é bem assim. Ele disse que estão dispostos a sair desde que lhes seja entregue um terreno próximo ao do parque Burle Marx, com área construída. "Ou se nos derem uma indenização".

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