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Índios querem implantar mineração

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LOIDE GOMES
05 de Jul de 2005

A Associação Municipal Indígena Guaikrî, que reúne os indígenas que moram na área urbana de Boa Vista, transferiu para o próximo dia 15 a realização de uma audiência para discutir projetos como a mineração nas reservas indígenas. A mudança de data foi forçada pela ausência dos representantes dos órgãos federais convidados para discutir a proposta, no sábado passado.
Cerca de 600 índios chegaram cedo ao ginásio Hélio Campos para o encontro. Mas os representantes da Funai (Fundação Nacional do Índio), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) não compareceram nem comunicaram a ausência.
Os índios se sentiram afrontados com o descaso. "Isso foi um desrespeito com a gente", lamentou o presidente da Associação, Bernaldo da Silva. Autoridades estaduais confirmaram a presença, inclusive o governador Ottomar Pinto.
De acordo com ele, os índios pretendem explorar minérios como ouro e diamante em suas terras, para fugir da pobreza na periferia de Boa Vista e aproveitar uma das principais potencialidades das reservas Raposa/Serra do Sol e São Marcos.
Cientes da burocracia para implementar um projeto desses, eles querem conversar primeiro com os órgãos envolvidos na questão para registrar o projeto e sair em busca dos recursos para sua implantação.
Vivem em Boa Vista cerca de cinco mil índios, segundo Bernaldo. Desse total, 4.200 já se inscreveram na associação para receber as carteiras de sócio. A maioria não tem emprego e mora na periferia mais pobre de Boa Vista, como os bairros Bela Vista, Raiar do Sol, Nova Cidade e Araceli Souto Maior, em casas muito precárias de madeira cobertas por lona.
Há índios de todas as etnias, inclusive Yanomami. O presidente afirmou que conhece pelo menos três famílias yanomami que vivem com muita dificuldade em Boa Vista. Ele disse que a baixa ou nenhuma escolaridade agrava o desemprego entre os parentes.
Ele denunciou que os indígenas são vítimas de discriminação em todas as esferas. Nas escolas, afirmou que as crianças recebem tratamento desigual por não compreender bem a língua e não dispor de fardamento, por falta de dinheiro dos pais para comprá-lo. Nos postos de saúde, conta que chegam a esperar 15 dias por uma consulta.
Na Funai, ele disse que os funcionários não querem emitir as certidões de indígena para quem vive na cidade. "A Funai também tem recurso para fardamento, transporte escolar e de idosos e deficientes, mas não atende a gente", comentou.
Por causa dessas dificuldades, a associação, criada em setembro do ano passado, também luta pela inclusão social. "Nós queremos participar dos programas de moradia, queremos um hospital para atender os índios e convênio para que os idosos e deficientes possam usar os ônibus gratuitamente", informou.
Além da mineração, os indígenas também reivindicam terra para a produção agrícola. Eles vão apresentar à Funai uma proposta para reassentá-los nas glebas na reserva indígena São Marcos, na região do Parimé/Paricarana, depois do Rio Uraricoera, às margens da BR-174, sentido Boa Vista/Pacaraima.
Esse assentamento poderia atender entre 250 e 500 famílias. "Nós queremos plantar banana, mandioca, fazer farinha e construir um galpão na beira da estrada para vender esses produtos e artesanato", relatou. A próxima assembléia-geral está marcada para começar às 9h, no ginásio da escola Wanda Aguiar, no Raiar do Sol.

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