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Índios quebram BR-174 para protestar

A Folha de Boa Vista-RR
Autor: MARILENA FREITAS
28 de set de 2001

Cerca de 100 indígenas, entre adultos e crianças, protestaram ontem em frente à escola da comunidade de Sorocaima II, no quilômetro 190 da rodovia 174, sentido Boa Vista/Pacaraima. Eles quebraram o asfalto e impediram o tráfego de veículos em protesto ao acidente de trânsito que matou a índia Aldenira da Silva Aleixo, 7 anos, na segunda-feira passada, por volta das 12h30, a um quilômetro da escola.
Com faixas que expressavam a revolta, eles gritavam pedindo justiça e conscientizavam os motoristas que por lá passavam. O acesso de veículos só foi interrompido por cerca de uma hora. O movimento pacífico foi acompanhado por uma equipe da Polícia Federal.
Essa é a nona pessoa que morre atropelada no trecho entre as quatro comunidades que ficam na beira da estrada. Parentes dos falecidos juntaram-se ao movimento e chamaram de "descaso das autoridades" a falta de providências.
As faixas dos alunos diziam: "Estamos profundamente tristes pelos acidentes fatais. Exigimos paz, respeito e justiça", "Luto não é vida! Queremos Vida", "Estamos de luto", "Queremos justiça pelas pessoas que perdemos" e "O excesso de velocidade poderá prejudicar você também".
Eles quebraram dois trechos da rodovia, sendo um em frente à escola e outro a cerca de 300 metros. As lideranças daquelas comunidades enviaram ontem mesmo um documento ao presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ao ministro da Justiça, José Gregori, e ao presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Glênio Alvarez da Costa.
No documento, relatam o fato e pedem providências, uma vez que os pedidos feitos ao DER (Departamento Estadual de Estrada de Rodagem) e à Secretaria de Educação em março deste ano não foram atendidos.
"Pedimos que fossem colocados sonorizadores e lombadas em frente a todas as comunidades para reduzir a velocidade dos carros, mas nada fizeram", disse o professor indígena Rivelino Pereira dos Santos.
"Dá uma tristeza tão profunda a morte da Alzenira, que não temos mais esperança que o Governo do Estado resolva a situação", acrescentou. "Se o DER não tomar providências, as comunidades vão fazer a lombada por conta própria", complementou o tuxaua Galdino Pereira Souza, 48, ao lembrar que outros indígenas foram vítimas de ferimentos leves.

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