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Índios protestam e prefeitura pára obra

Jornal O Povo
06 de set de 2007

Após uma reunião ontem à noite com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da tribo indígena pitaguary, a prefeitura de Maracanaú decidiu parar a construção de 146 casas populares. Os índios estão acampados no local da obra, um terreno na localidade Olho D'Água, há cerca de um mês e afirmam que as terras são indígenas. Na manhã de ontem, houve até um alerta de que eles haviam feito reféns, mas, segundo Evanildo Paulino Vieira, um dos acampados, tudo não passou de boato. "Quando os índios estão pintados, as pessoas pensam que é para a guerra", disse. No próximo dia 17, haverá outra reunião. Nessa, os índios virão com uma proposta para a prefeitura a respeito da situação do terreno.

Segundo Graça Vieira, presidente da Associação Chiquinha Vieira, que representa a tribo, os índios já haviam feito três tentativas de acordo com a prefeitura de Maracanaú para suspender a construção, mas não houve êxito. "Se for preciso ficar mais um mês, nós ficamos", enfatiza. Para Evanildo, a prefeitura tinha que ter conversado com a tribo antes de iniciar a obra.

As casas, segundo o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, destina-se a moradores da área de risco do rio Maranguapinho e serão construídas com recurso federal em um terreno pertencente ao município. O prazo para a conclusão da obra é de 240 dias. No entanto, o prefeito informa que, se demorar muito para começar, pode haver um prejuízo e até perda do recurso de R$ 4,9 milhões.

Para o prefeito, os índios acham injusto que moradores de áreas de risco de outro local ocupem um espaço que poderia ser deles. Isso porque, como explica Pessoa, alguns índios vivem em situação semelhante. É o caso de Maria Zita Vieira Lima, que mora em um galpão com 17 pessoas.

Raimunda Martins de Paula, indigenista da Funai, explica que não há registro de que as terras que os pitaguarys reivindicam são indígenas, mas o órgão vai iniciar estudos para verificar. Já as que ficam do outro lado da avenida que dá acesso ao acampamento são reconhecidas pela entidade, o que, para Graça Vieira, já confirma a reivindicação dos índios. Segundo Roberto Pessoa, se a Funai comprovar que as terras são dos índios, a prefeitura não irá contra a decisão, cederá o espaço e transferirá a obra para outro local.

Resistência
O colorido dos cocares e das pinturas dos rostos parecem não refletir a situação difícil pela qual os índios pitaguarys estão passando no acampamento. As taperas construídas com madeira e palhas de coqueiro são bem pequenas, os colchões estão sobre a areia e há um fogão improvisado no chão. Evanildo Vieira conta que várias crianças ficaram doentes e, ontem, uma mulher foi levada ao hospital após ter fraturado o pé. Os alimentos provêm de doações.

Durante a noite, os homens se revezam para vigiar o local e proteger as pessoas da violência. Até ameaça de tocar fogo nas taperas eles já receberam, segundo contam. Na tarde de ontem, empregados da empresa responsável pela construção colocaram arame farpado ao redor do terreno para delimitar o espaço. Os índios ajudaram, já que o arame servirá de proteção para o acampamento.

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