Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
03 de Dez de 2005
Manifestação começou por volta das 11 horas quando Ramiro esteve no local
Acusações e protestos. Foi assim a recepção do novo coordenador-substituto da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Ramiro Teixeira. Os cerca de 80 índios estão irredutíveis quanto à nomeação dele. Eles prometem deixar a sede do órgão somente depois que a presidência em Brasília revogar a portaria de nomeação do servidor. Os indígenas ocupam a repartição pública há cinco dias. Foi destituído do cargo de coordenador-substituto, o servidor Aurean Leal.
De início, os protestos se resumiam à falta de pagamento das Organizações Não-Governamentais (ONGs) que prestam assistência à saúde indígena. A partir de agora, com a nomeação de Teixeira, as reclamações dos indígenas são quanto ao retorno do coordenador. Agentes da Polícia Federal estiveram no local, à paisana, acompanhando o processo.
Durante quase uma hora, os índios protestaram a presença de Teixeira na sede do órgão. A reunião com os indígenas aconteceu na parte externa do prédio pelo fato do novo coordenador ter sido impedido de entrar na sede da Funasa. Os demais servidores ficaram do outro lado da rua aguardando a autorização para retomar às atividades.
O líder indígena Peri Yanomami disse não aceitar a volta de Teixeira por entender que ele passou pela coordenação do órgão e nada fez pelos índios da etnia yanomami. "Não acreditamos mais nele. Quando ele foi coordenador pela primeira vez, sentamos e fizemos vários planos e projetos, dentre eles construção de postos, controle de endemias e saneamento básico e isso não foi cumprido", afirmou.
Todos os índios presentes se manifestaram contrários quanto à nomeação de Teixeira, embora seja para um cargo interino até que a presidência do órgão em Brasília indique um novo coordenador regional.
Na manhã de ontem, vários indígenas estavam reunidos no auditório da Funasa e na Casa do Índio, onde Teixeira esteve no primeiro momento e enfrentou o início do protesto. A imprensa não teve acesso a esses dois encontros.
Em meio às manifestações que foram traduzidas em português, os índios yanomami acusaram o novo coordenador-substituto de ter desviado verba de projetos implantados pela Funasa. As acusações foram fortes e pontuais. As denúncias contaram com o apoio de funcionários contratados pelas ONGs que prestam assistência na área yanomami.
DEFESA - Ramiro Teixeira se defendeu das acusações feitas pelos índios yanomami. Conforme ele, durante o período de um ano que passou na administração da Funasa, desenvolveu um bom trabalho e que não desviou nenhum dinheiro para fins pessoais.
Segundo ele, a administração da Funasa é centralizada e tudo depende de Brasília. "Não estou aqui para justificar a minha nomeação. Sou servidor do Ministério da Saúde e fui designado a assumir a coordenação regional interinamente", enfatizou, ao acrescentar que tem 30 anos de funcionalismo público e que durante esse período que foi administrador público, teve suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas, o que descarta a possibilidade de desvio de verba.
"Tenho uma história administrativa nesse Estado e não admito ser atacado dessa forma. Durante minha administração fiz muita coisa e queria ter feito muito mais. O que eu espero é respeito por parte dos índios", disse Teixeira.
Índios ligados ao CIR (Conselho Indígena de Roraima) querem a volta do ex-coordenador, Ipojucan Carneiro. Mais uma vez eles vão reiterar o pedido junto ao Ministério da Saúde e presidência da Funasa.
Durante a reunião com o coordenador-substituto, Ramiro Teixeira, os índios deixaram clara a intenção de ter uma pessoa da confiança deles à frente do órgão federal. Eles não aceitam a indicação de Teixeira por entender que está voltada à questão política e não ao interesse coletivo dos índios.
MAIS PROTESTOS - Desde ontem, 40 índios das etnias macuxi, wapixana, taurepang, wai-wai e ingaricó estão engrossando os protestos em frente à sede da Funasa. Eles também não concordam com a nomeação de Ramiro Teixeira para a coordenação interina do órgão.
"Queremos uma definição de Brasília. Não pretendemos conversar com o Ramiro", disse o coordenador do convênio de Saúde do CIR, Clóvis Androso, ao ressaltar que os índios do Distrito Sanitário Leste estão sofrendo com o atraso no repasse de verba para pagamento da conveniada [CIR] que presta serviços de saúde na área indígena.
Conforme ele, está atrasada a segunda parcela do convênio no valor de R$ 3 milhões e a Funasa anunciou pagar somente R$ 700 mil. "Esse valor não dá para pagar os encargos dos salários dos profissionais. Queremos que essa situação seja resolvida", disse.
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