Jornal a Tribuna (AC)
Autor: Jairo Barbosa
07 de Mar de 2007
A notícia da escolha do Acre para pesquisas de petróleo e de gás foi comemorada pelos mais diferentes setores sociais e culturais por causa da dimensão do projeto e por causa dos recursos que serão investidos na região. Mas a prospecção de dois combustíveis fósseis em diferentes áreas do território acreano divide opiniões e enfrenta certa
resistência. Os índios manchineris, na terra indígena Mamoadate, região de Assis Brasil, fronteira Brasil-Peru-Bolívia, uma das áreas escolhidas para as pesquisas com cerca mil índios, mostram-se pouco empolgados com a iniciativa. O líder da etnia, Sabá Manchineri, alertou para a escolha da área sem uma prévia consulta a seu povo. Para ele, antes de tudo, é preciso estabelecer uma conduta em que estejam relacionados os benefícios e os riscos que oferecem as pesquisas ao seu povo. "Não adianta dizer que agora vão preservar ou explorar se nós vamos estar sendo arrolados por um processo sem os devidos benefícios. Nós queremos, como povo indígena, participar das discussões. O Estado do Acre precisa explorar? As populações necessitam dessa exploração? Se necessita, vamos buscar os meios para que nos beneficiem não somente para financiar ou beneficiar grupos econômicos e principalmente quando vêm de fora", alertou o
líder indígena. A proposta da Agência Nacional de Petróleo (ANP) é iniciar as pesquisas ainda neste ano, investindo cerca de R$ 75 milhões. O projeto foi apresentado pelo senador Tião Viana (PT), onde se afirma que a existência de petróleo e de gás é tida como certa no subsolo acreano, porque o território do Estado está situado numa
região circundada por regiões de bacias sedimentárias, onde já foi possível constatar a existência de grandes quantidades dos dois combustíveis fósseis. É o caso das bacias produtoras existentes no Amazonas e nas regiões vizinhas da Bolívia e do Peru. Sabá Manchineri defende a preservação dos costumes e da cultura indígena, que, segundo ele, tem sofrido agressões ao longo dos anos. Ele disse ainda que é o momento dos povos indígenas se autovalorizarem. "Nós vamos estar nos pronunciando de maneira mais oficial na mediada em que formos
consultados," garantiu. A exploração de recursos naturais exige uma preparação. Existem riscos e nosso povo vai estar exposto. A prostituição, o alcoolismo e a invasão criam todo um outro vício que não é benéfico pra o nosso povo. Nós já temos essa experiência e espero que isso não se repita", alertou Sabá.
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