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Índios Pitaguarys fecham novamente acesso a suas terras

Diário do Nordeste
04 de set de 2002

A briga entre a tribo indígena Pitaguary e o posseiro Cícero Nobre culminou, mais uma vez, no fechamento do portão que dá acesso às terras de Santo Antônio do Pitaguary, no município de Maracanaú. A entrada de pessoas estranhas está impedida desde a última segunda-feira e para dar reforço aos Pitaguarys, munidos de foice, pau e lança, já estão no local representantes das tribos Tapeba, Tremembé e Jenipapo Kanindé. Nos próximos dias, devem chegar mais índios oriundos da Bahia, Alagoas e Paraíba.
Nesse exato momento em que se registra mais um conflito dentro de terras indígenas, técnicos da Funai chegaram de Brasília para averiguar denúncias de atividades degradantes dentro do ponto de vista ambiental. A vistoria deve durar 15 dias e contará com apoio do Ibama, Semace e Ministério Público Federal. O grupo estará reunido na área de Santo Antônio do Pitaguary amanhã, cujo trabalho se estenderá às terras indígenas dos Tapeba, Jenipapo Kanindé (Lagoa Encantada) e Tremembé de Almofala.
Segundo o técnico em Indigenismo da Funai, em Brasília, Lídio José dos Santos, dentro de
todas as terras indígenas do Ceará, cuja demarcação ainda está em curso, há posseiros. Por
isso, no campo fundiário, é preciso deixar seguir o processo. Mas, o papel da equipe da Funai no Ceará será de coibir as degradações ambientais. O levantamento da problemática
acontecerá numa parceria com os fiscais do Ministério Público Federal.
Quanto à denúncia feita pelo tapeba Ricardo Dourado, coordenador de Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, de que o posseiro Cícero Nobre estaria incentivando a prostituição dentro da terra indígena e vendendo bebida alcoólica, o técnico da Funai, Lídio José dos Santos, disse que o fato, se comprovado, iria constar no relatório final. Ele deixou claro, no entanto, que sua missão é de fazer o levantamento do que está ocorrendo e se as denúncias de degradação ambiental procedem.
A briga entre o posseiro Cícero Nobre e os índios Pitaguary vem se arrastando desde
novembro passado. De lá para cá, quando os ânimos se alteram, os índios fecham o portão,
amparados numa ordem judicial. Nesse período, revelaram os índios, o posseiro tentou até
construir um muro próximo à sua churrascaria, a fim de aumentar seu patrimônio, que foi
derrubado logo em seguida. Eles denunciam, ainda, que Cícero já aterrou uma parte do açude que fica em suas terras. No último domingo, índios e posseiro se estranharam novamente por conta da venda de bebida alcoólica na churrascaria de propriedade do posseiro.

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