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Índios permanecem na sede da Funai

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: SÍLVIO SOUZA
08 de Jan de 2004

Os policiais federais não convenceram os índios a saírem da sede da Funai

Nem a intervenção da Polícia Federal foi suficiente para convencer as lideranças indígenas responsáveis pela ocupação do prédio da Funai (Fundação Nacional do Índio) no Estado a desocuparem a sede do órgão. No início da tarde de ontem, três delegados da PF e um funcionário da Funai tentaram um acordo. No entanto os índios foram taxativos em afirmar que só sairiam após um posicionamento oficial do presidente da Funai, do Ministério da Justiça ou do presidente da República sobre a questão.

Resistindo a desocupação do prédio, após quase uma hora de negociação, os índios permitiram que fossem retirados computadores e outros equipamentos. Além disso, ficou acertado que algumas salas ficariam fechadas, como o gabinete e o setor administrativo e o acesso do grupo ficaria restrito a sala de reuniões e outros setores.

Os índios permitiram também que alguns funcionários do órgão voltassem ao trabalho normal, a partir de hoje. A decisão permite o funcionamento de setores considerados essenciais a prestação de serviços às comunidades indígenas do interior do Estado.

"Estamos aqui com intuito de vermos atendidas as nossas reivindicações e não queremos prejudicar nossos parentes. Por isso, permitiremos que alguns funcionários trabalhem. Vamos fazer uma lista com os nomes e liberar o acesso deles ao prédio", afirmou o tuxaua Amazonas, um dos líderes do movimento.

O tuxaua garantiu que nenhum documento ou equipamento do prédio foi depredado ou extraviado pelos ocupantes. "Ao contrário, estamos zelando pelo o que é nosso. Temos um objetivo e iremos lutar por ele até o fim".

A permissão para entrada de funcionários no prédio, não agradou todo o grupo. Alguns indígenas consideraram a atitude uma ameaça e enfraquecimento do movimento. Para estes, permitir que os servidores entrassem livremente no prédio serviria como um elo de ligação com a atual diretoria.

Os manifestantes são contra a atual direção e pedem a destituição do diretor, Martinho Alves, alegando que ele não corresponde ao interesse dos indígenas, não defende, nem luta pelas reivindicações dos povos indígenas.

Hoje, completam 48 horas da ocupação da sede da Funai (Fundação Nacional do Índio) no Estado, feita pelo grupo pertencente a entidades indígenas contrárias a homologação da Raposa/Serra do Sol em área contínua.

Para reforçar o movimento, chegaram ontem mais de 30 indígenas vindos de diferentes aldeias do Estado. A expectativa é que nos próximos dias o número de acampados no prédio chegue a 300 vindos de comunidades que habitam a região da Raposa/Serra do Sol.

EXIGÊNCIAS - Entre as exigências para a desocupação do prédio os índios querem em primeiro lugar, uma posição do Governo Federal, seja através do Ministério da Justiça, da presidência da Funai ou do próprio presidente da República.

"Não podemos permitir que autoridades em Brasília decidam o futuro de nossa gente sem nos consultar para saber o que achamos de tudo isso", declarou o tuxaua, Pedro Celso da Silva, da comunidade do Contão.

Ele informou que terça-feira, 6, o grupo encarregado das negociações entrou em contato com a presidência da Funai em Brasília, para enviar uma comissão formada por 20 tuxauas com passagens e estadias pagas pela Funai.

A justificativa apresentada pela presidência, segundo Pedro Celso, seria que o custo do deslocamento inviabilizaria a pretensão, contra-propondo a liberação de três passagens. "Só sairemos daqui se for os 20 que queremos. Se não podemos ir até eles, então que eles venham até nós", reforçou

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