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Índios pedem valorização da medicina tradicional

Dourados News
Autor: Dourados News
23 de Abr de 2008

Indígenas sentem-se discriminados na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), que dá acesso universal ao atendimento de saúde no país, e pedem a valorização dos pajés, das parteiras e de sua medicina tradicional. No campo da educação, eles pedem a implantação de uma política de educação escolar indígena, o acesso de jovens indígenas ao ensino superior e a formação de professores indígenas nas universidades públicas.

As reivindicações constam no documento tirado do V Acampamento Terra Livre 2008, que reuniu em Brasília, de 15 a 17 de abril, 800 lideranças indígenas, representando 230 povos, para analisar direitos e partilhar realidades dos povos indígenas em solo brasileiro, e unificar demandas e aspirações.

O Estado brasileiro tem-se mostrado incapaz de conviver e oferecer tratamento diferenciado aos nossos povos”, diz o documento do Acampamento Terra Livre. O governo, analisa, apesar de esforços significativos, continua submetido à pressão de interesses econômicos e políticos que sempre mandaram neste país, criando situações que acarretam a grave crise no atendimento da saúde indígena e da violência contra os povos indígenas”, aponta o texto.

Em 2007, foram mortos 92 líderes indígenas. O documento denuncia a impunidade de casos de assassinatos a mando de fazendeiros e invasores de áreas indígena ocorridos no passado e destaca as ameaças contidas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das ênfases do governo federal. Os povos indígenas sentem-se ameaçados por projetos de infra-estrutura, como usinas siderúrgicas, grandes empreendimentos industriais e comerciais.

O documento menciona, especificamente, o projeto de transposição do Rio São Francisco, que atinge cerca de 26 territórios indígenas da região Nordeste, as usinas do Rio Madeira, do Estreito e Belo Monte, na região Norte, o complexo hidrelétrico do Rio Tibagi, no Sul do país, e as pequenas e grande hidrelétricas nos rios Juluena e Kuluene, no Mato Grosso, que atingirão mais de 20 comunidades indígenas.

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