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Índios pedem regularização dos contratos de professores

O Povo (CE)
Autor: Rocélia Santos
01 de mar de 2007

Professores e lideranças indígenas das etnias tapeba, jenipapo-kanindé e pitaguary acamparam, ontem, em frente à Secretaria de Educação Básica do Estado (Seduc). Eles reivindicavam a regularização do contrato temporário dos docentes de escolas indígenas pelo período de um ano, o pagamento imediato do salários destes professores que está atrasado desde janeiro, a construção de escolas indígenas e a discussão para realização de concurso público. "Nossa principal reivindicação é a ampliação dos contratos dos professores temporários, que atualmente é de seis meses para um ano. O Estado só tem contrato até julho, o que prejudica os direitos de férias e 13o salário", explica o vice-presidente da Associação dos Professores Indígenas Tapebas (Aproint), Ricardo Weibe Nascimento Costa.

Após duas reuniões com representantes da Seduc, uma pela manhã e outra pela tarde, os manifestantes conseguiram a promessa de cumprimento das reivindicações. "Ficou acertado que o contrato será ampliado para um ano. Quanto a realização do concurso público, vamos ao longo deste ano buscar entendimento com as comunidades indígenas para sua realização", afirmou o secretário executivo da Seduc, Idilvan Alencar. Ele explicou ainda que o atraso nos salários ocorreu por causa de uma mudança no orçamento que garante recursos do Fundef-Fundeb para o pagamento. "O dinheiro, no entanto, já está assegurado em caixa. Vamos apenas regularizar os contratos para poder efetuar o repasse, o que deve ser feito até o início de abril", acrescentou.

Conforme Weibe, o secretário garantiu que cinco escolas serão construídas ainda este ano. Os locais ainda serão definidos. Weibe relata que atualmente existem 36 escolas para índios no Ceará, distribuídas em 17 municípios, com cerca de 2.500 alunos e 350 professores. "Até o final da década passada, os professores indígenas eram voluntários. Hoje eles recebem cerca de um salário mínimo por 100 horas de aula no mês", observou.

Dois meses de atraso

José Almeida do Nascimento, 33, é professor da 1ª à 4ª série da escola Narciso Ferreira Matos, na Aldeia Lagoa dos Tapeba I, no município de Caucaia. Ele não recebe o salário há dois meses e, segundo José, essa é a sua única renda financeira. "Apesar de nós sermos índios, somos humanos também. Temos família para cuidar e dívidas a pagar", destacou. José Almeida dá aula há 16 anos e, além de ensinar o conteúdo convencional das escolas, aborda com seus alunos assuntos que reforçam a identidade indígena, como a vida de seu povo, a cultura, o artesanato, as pinturas, entre outros costumes.

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