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Autor: Nadyenka Castro e Paulo Fernandes
29 de Out de 2008
Com corpos pintados e cocar na cabeça, cerca de 200 índios de diversas aldeias de Mato Grosso do Sul reuniram-se na manhã desta quarta-feira, na Praça Ary Coelho, centro de Campo Grande, para protestarem em apoio à Funasa (Fundação Nacional de Saúde).
Eles querem que a saúde indígena continue sob a responsabilidade do órgão. Os indígenas são contra o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, que prevê o repasse dessa função aos municípios. A mudança passou a ser defendida após a morte de crianças por desnutrição nas aldeias guarani do Estado.
"Será voltar tudo para trás; à estaca zero", indigna-se a índia terena Silsa Vieira, 60 anos, da aldeia Moreira, em Miranda. Ela e mais 41 índios da aldeia dela, viajaram 212 quilômetros até a Capital para participar do movimento, que é realizado também em mais 10 cidades.
A aposentada conta que quando a saúde era de responsabilidade da Funai (Fundação Nacional do Índio), "não era bom". Segundo ela, hoje há agente de saúde, ambulância, enfermeiro, técnico de enfermagem e médico.
O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul, o índio terena Fernando da Silva Souza, explica que o protesto também tem por objetivo pedir a autonomia dos distritos indígenas em relação à saúde e o cumprimento das deliberações da Conferência da Saúde, realizada em março de 2006.
De acordo com Fernando, morador da aldeia Jaguapiru, em Dourados, entre as deliberações está a efetivação dos recursos para Funasa.
Moradora na mesma aldeia que Fernando, a guarani Edilene Souza Rodrigues, disse que a saúde dos índios melhorou quando a Funasa assumiu. "Principalmente porque fizeram trabalho de conscientização sobre os cuidados com a medicina tradicional".
Demarcações - Fernando declarou que o movimento desta quarta-feira não tem relação com a questão das demarcações de terra, assunto em alta hoje no Estado. "Não estamos misturando as coisas. Estamos tratando de um ponto específico".
Para ele, as portarias da Funai que instituíram as demarcações, foram necessárias, "mas faltou articulação, tinha que haver mais conversa política antes de editar".
Segundo Fernando, houve uma reação negativa da opinião pública em relação às demarcações, principalmente porque, para ele, a mídia trabalhou em favor dos produtores e a população tem acesso ás informações através dos meios de comunicação. "A grande maioria não conhece uma aldeia e parte de uma opinião formada".
Confinamento - De acordo com Fernando, a população indígena está "confinada em minúsculas áreas e isso resulta no alcoolismo, desnutrição e violência".
Ele diz que há no Estado 560 mil hectares de terras indígenas. 500 mil, somente na região de Bodoquena, onde vivem cerca de dois mil kadiwéus. Há cerca de 65 mil índios em Mato Grosso do Sul.
Na aldeia de Silsa, vivem 1.700 índios em 94 hectares. Segundo ela, como "não tem hectar para plantar", os homens trabalham como pedreiros e canavieiros e as mulheres como empregadas doméstica.
Já na de Edilene, há mais de sete mil guarani, kaiowá e terena, distribuídos em três mil hectares. Ela fala que a maioria vive com as cestas básicas que são distribuídas pelo governo e trabalham em usinas. Há agricultura, mas só de subsistência.
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