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Índios pedem fiscalização na reserva

Dourados Agora-Dourados-MS
Autor: Cristiane Guimarães
25 de Ago de 2005

A Operação Sucuri, desenvolvida dentro da reserva indígena de Dourados, necessita do apoio das policias Militar e Federal, para continuar com o trabalho de repressão. A Operação, que foi criada pela Funai há pouco mais de um ano para conter a criminalidade dentro das aldeias Bororó e Jaguapiru, conta com apenas três funcionários para fiscalizar uma área com 13 mil habitantes.
De acordo com o membro do Conselho de Direitos Indígenas de Mato Grosso do Sul, Denis Silva Figueiredo, apesar da boa vontade, o trabalho da Operação Sucuri não atende a necessidade da reserva. "A Sucuri funcionou apenas uns três meses e depois parou por falta de viatura e fiscais. Estamos sem segurança", disse o conselheiro.

Funai
O responsável pelo Núcleo de Atendimento da Funai de Dourados, Sebastião Martins, disse que a Funai comprou uma viatura para realizar as rondas. Ele confirmou que mesmo assim precisa do apoio dos órgãos de segurança de Dourados. "A atuação da Sucuri está sendo reformulada no sentido de buscar o apoio das policias. Gostaríamos, de pelo menos uma vez por semana, contar com a presença de policiais nas deligências na reserva. Nosso objetivo principal é reprimir delitos e comportamentos que ferem a harmonia das famílias indígenas.", disse Sebastião.

Polícia Militar
O comandante da Polícia Militar de Dourados, Coronel Erudilho Nabuco, diz que a PM está a disposição para dar apoio em casos de ocorrências. A maioria dos casos atendidos, com ajuda da Polícia Militar, era de tentativas de homicídio. "É possível dar esse apoio, mas, depende muito da necessidade e do número de efetivo que disponibilizamos no momento da solicitação. Temos que fazer um planejamento e estudar todas as possibilidades para realizar esse trabalho. Estamos abertos as conversações com a Funai", afirma Nabuco.

Polícia Federal
Segundo o regimento interno, a Polícia Federal não faz segurança ostensiva, ela é uma polícia muito mais repressiva do que preventiva. "A responsabilidade da Polícia Federal é de investigar os crimes e os problemas que afetam toda a comunidade indígena. Nossa ação primordial é a apuração de delitos graves, como tráfico de drogas", explica o delegado de Polícia Federal Dante Pegoraro Lemos.

Violência
Nos últimos meses a participação de índios nas ocorrências policiais tornou-se comum, e despertou a preocupação das lideranças em intensificar a fiscalização e restringir a entrada de brancos na reserva.
Contudo, proibir a presença de brancos não resolveria totalmente o problema. Os atos de violência e a influência a marginalidade, não são apenas de brancos para com índios, mas, também entre os próprios índios. Por tudo isso, muitos indígenas já pensam em desenterrar práticas antigas de defesa, como o arco e flexa. Segundo, Sebastião Martins, os índios já estão bastante inseridos nos costumes dos brancos, e esse contato nem sempre é bom. "Os índios menos esclarecidos acabam se envolvendo com más companhias, e muitas vezes são usados por indíviduos criminosos de nossa sociedade", explica Sebastião. Na terça-feira à noite, os agentes da Sucuri surpreenderam, dentro da reserva, um grupo de brancos em conversa suspeita com índios. Esse tipo de contato, levanta a possibilidade de envolvimento de indígenas no tráfico de drogas, fato que é comprovado pela Polícia Civil, que mantém presos 5 índios, a maioria por tráfico.

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