Brasil Norte-Boa Vista-RR
14 de Mai de 2004
Lideranças indígenas estiveram reunidas ontem pela manhã com deputados no gabinete da Presidência da Assembléia Legislativa. Predominou, na pauta do encontro, a reivindicação dos índios ligados a Sodiur, Alidecir, Arikon e Conselho do Povo Ingaricó para que estradas, riziculturas, vilas e a sede de Uiramutã fiquem de fora da demarcação da área Raposa/Serra do Sol.
"Viemos pedir apoio e esclarecer a real intenção do nosso protesto ao ocupar o prédio da Funai. Não queremos desrespeitar à legislação, apenas lutar pelos nossos direitos", salientou o indígena Jonas Marcolino, diretor da Sodiur, sobre a exigência de mais de 250 índios que estão desde segunda-feira na sede regional da Funai para cobrar uma audiência com o presidente Lula.
Presidente da Assembléia, Mecias de Jesus (PL) informou que o parlamento está concluindo um documento que será encaminhado ao Palácio do Planalto, detalhando como Roraima está desaparecendo do mapa do Brasil. O alerta também será apresentado no encontro de todos os legislativos estaduais, entre os dias 26 e 29 deste mês, no Hotel Tambau, em João Pessoa (PB).
"É uma determinação dos 24 deputados estaduais apóia-los nessa empreitada. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, mentiu para Roraima ao dizer que tinha uma folha de papel em branco quando veio conhecer a realidade da Raposa/Serra do Sol. Tinha, na verdade, uma posição definida na defesa da portaria demarcatória e em favor das ONGs", frisou Mecias de Jesus.
Para o presidente, a população roraimense deve se mobilizar cada vez mais para fazer valer seus interesses frente o poder central. O deputado Tião Portela (PL) argumentou que 'os índios precisam ter firmeza na posição de protesto que adotaram, sem fazer nada de que possam se arrepender futuramente', numa alusão a ameaça de alguns em incendiar o prédio da Funai.
Na opinião de Anísio Pedrosa, presidente da Alidecir, as diversas reuniões que estão acontecendo com autoridades visam fortalecer o movimento. "Ficamos satisfeitos com o apoio que temos recebido. Afinal, a postura do Ministério da Justiça e da Funai é uma afronta à sociedade roraimense como um todo. Acho que a proposta do Congresso Nacional é a mais adequada". (I.G.)
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