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Índios participam de audiência na Casa Civil amanhã

Dourados Agora-Dourados-MS
Autor: Cristiane Guimarães
08 de Nov de 2005

Índios de Dourados liberaram a MS-156 depois de quase quatro dias de bloqueio.
Após horas de negociação indígenas de Dourados desbloqueiam rodovia e agendam reunião na capital

Após muita conversa o protesto na MS-156, realizado por índios guarani, caiuá e terena, chega ao fim. O trânsito na rodovia, que havia sido impedido no sábado com pneus queimados, tronco de árvores e galhos, foi liberado. De acordo com o deputado estadual Zé Teixeira, os índios só aceitaram terminar a manifestação depois de receberem garantias que o problema será analisado pelo governo. "Nós conseguimos agendar uma audiência na Casa Civil para esta quarta-feira, às 14 horas. A Funai se comprometeu em levar algumas lideranças indígenas até Campo Grande, onde eles devem apresentar suas reivindicações", explicou o deputado.
Para chegar ao acordo, foram horas de negociação na manhã de ontem. Revoltados, os índios ameaçaram derrubar uma torre de energia, que fica próximo da reserva de Dourados, e incendiar uma caminhonete da Funai, caso o impasse das terras não fosse resolvido. Segundo os índios, tudo começou com uma promessa do Incra. O Instituto teria prometido 4.500 hectares de uma fazenda perto de Rio Brilhante, mas até agora a área não teria sido adquirida. Na semana passada algumas famílias indígenas ocuparam uma fazenda em Rio Brilhante, mas tiveram que sair do local porque estavam na área errada. Por isso decidiram bloquear a rodovia MS-156, que liga Dourados a Itaporã.
O deputado estadual Zé Teixeira (PFL) chegou ao local da manifestação para tentar acalmar as lideranças indígenas. "Nós sabemos que muitas autoridades tratam os índios com falta de respeito e isso é lamentável, mas os indígenas devem entender que não podem tirar o direito de ir e vir das outras pessoas", disse o deputado, que se comprometeu em propor a criação de uma comissão para tentar resolver o caso. Teixeira disse ainda que existem agricultores na região de Rio Brilhante que já concordaram em vender suas terras para o Incra. "Conheço agricultores que vendem até por R$ 12.000 o alqueire, só basta negociar", afirma.
O cacique, líder da reserva Jaguapiru, Hélio Nimbu, disse que a terra é uma necessidade, já que 12 mil índios dividem uma área de apenas 3.470 m2. "Queremos que isso seja resolvido com urgência só que ninguém assume a responsabilidade, mas na hora de criticar todo mundo aparece", disse o cacique. Somente no final da manhã numa reunião entre os índios, a Funai e as lideranças políticas, foi decidido pelo fim da manifestação.

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