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Índios: participação ativa e conquistas

Brasil Norte-Boa Vista-RR
04 de Dez de 2003

Organizada, ativa e vitoriosa. Assim se deu a participação dos 53 índios - 38 delegados e 15 convidados - na CNMA. Para Jecinaldo Barbosa Cabral, coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e convidado de honra da conferência, o evento representou uma oportunidade para que a sociedade brasileira enxerge sua responsabilidade com os povos indígenas. E complementou: "Acho que esse ministério é muito estratégico para que nós possamos construir uma política indigenista. Além de garantir nosso território, a gente busca protegê-lo e desenvolver projetos sustentáveis".

Macuxi
José Adalberto Macuxi, delegado por Roraima, Estado com o maior número de delegados indígenas - 10 de um total de 18 delegados roraimenses -, definiu a conferência como um espaço para a construção de articulação com outros representantes de populações tradicionais. "Nós estamos começando a nos integrar com os trabalhadores rurais, com os quilombolas, com os ribeirinhos, que possuem preocupações parecidas com a nossa, principalmente por terra."

Bastante satisfeita com os resultados da conferência, especialmente com a aprovação da emenda que determina a revogação de Unidades de Conservação em Terras Indígenas, Joênia Wapichana, outra delegada indígena por Roraima, também compartilha a impressão de José Adalberto Macuxi. Para ela, o evento possibilitou que as demandas indígenas "começassem a ser ouvidas, conhecidas e entendidas por outras pessoas que trabalham com a questão ambiental".

CIR
Sobre as declarações do presidente Lula em relação à TI Raposa/Serra do Sol, a advogada do Conselho Indígena de Roraima (CIR) constestou: "Eu não assisti à abertura, mas pelo o que eu ouvi, fiquei um pouco desestimulada. Quando ele falou que iria homologar a TI Raposa/Serra do Sol em área contínua, sua frase mereceria um ponto final ali, sem condições. Os povos indigenas já esperam há mais de 30 anos a regularização dessa área. Apressados? Não somos apressados. Eles que estão devagar demais".

Reunidos em Brasília um dia antes do início do evento, 17 delegados indígenas definiram conjuntamente quais seriam as principais propostas defendidas: regovação das Unidades de Conservação em Terras Indígenas; garantia do consentimento prévio e informado e da repartição dos benefícios ao acesso aos recursos genéticos associado aos conhecimentos tradicionais; a criação de um fundo específico para a gestão da biodiversidade em TIs e pela prestação de serviços ambientais; implementação de um modelo de ecoturismo diferenciado em TIs, com a participação e benefício das populações indigenas; entre outras. Emplacaram todas.

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