A Tarde-Salvador-BA
Autor: CRISTINA LAURA
07 de Jun de 2005
Eles cobram assistência médica, alimentos e infra-estrutura para aldeia Atikum; vão aguardar, no prédio, respostas concretas
Índios da tribo Atikun, que vivem a 7
quilômetros de Curaçá, ocuparam o prédio da Fundação Nacional de
Saúde em Juazeiro, na noite de domingo, para denunciar a falta de
atenção à saúde e outras dificuldades. Eles reivindicam atenção por
parte da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da Fundação Nacional
do Índio (Funai) quanto à assistência médica, alimentação e infra-
estrutura na aldeia onde vivem hoje 55 famílias.
Os manifestantes dizem que só vão desocupar o prédio depois que
receberem a visita de representantes da Funasa, da Funai e também do
Setor Fundiário, com propostas sérias para solução dos problemas
enfrentados por eles nas aldeias, atualmente.
Segundo a cacique Djanira Jovelina Diniz Silva, "não existe nenhuma
preocupação com a saúde dos índios, por isso ocupamos o prédio e
vamos ficar até que uma solução seja apresentada. Temos gente
hospitalizada, gente morrendo na tribo sem cuidados e ninguém faz
nada. Estamos dispostos a tudo para garantir nossos direitos". A
cacique afirma que no ano passado duas crianças morreram de
desnutrição.
Representantes da tribo Tumbalalá, que fica a uns 30 quilômetros de
Curaçá, também participam da ocupação do prédio e dizem que passam
pelas mesmas dificuldades. Índios de outras tribos como os Trukás
(Pernambuco), os Tuxás e os da Tapera, que também se sentem
prejudicados pela ausência da Funai no dia a dia de suas
comunidades, estão sendo aguardados para dar reforço ao protesto.
PAJÉS CRITICAM - Para cuidar dos índios que foram trazidos, para
Juazeiro, apresentando doenças ainda sem diagnóstico, a Secretaria
Municipal de Saúde disponibilizou uma enfermeira e uma equipe da
DST/Aids. Eles não permitem a entrada de ninguém, a não ser de
entidades que estão dando apoio e assistência fora do prédio, com
arrecadação de alimentos, roupas e remédios, como é o caso da
Colônia de Pescadores de Juazeiro e o Instituto Ambiental de
Proteção à Vida.
José Índio, pajé da Tribo Atikun, diz que "a situação é crítica e
merece que seja dada a atenção devida. Não temos médico, e os índios
que são trazidos para Juazeiro ficam esperando horas, vão de
hospital em hospital sem atendimento. Estamos cansados de esperar,
por isso tomamos essa atitude. Fomos obrigados a agir pela
necessidade", garante o pajé.
De acordo com o pajé Antônio Lourenço Barbalho, as aldeias estão sem
água tratada, com proliferação de doenças, principalmente pela falta
de estrutura de muitas casas que ainda são de taipa. "Antigamente,
recebíamos algumas cestas básicas, mas nem isso chega mais, e até a
escola que funcionava na aldeia foi desativada", revela o pajé.
Apesar disso, eles reconhecem um certo esforço da Prefeitura de
Curaçá em disponibilizar carro para levar os índios à escola na
cidade.
Tribos apóiam reforma agrária
Hoje, a comunidade indígena na região baiana, entre Curaçá e Paulo
Afonso, compreende as 55 famílias da tribo Atikun, 180 dos
Tumbalalás e mais a Tuxás, que ficam em Rodelas. O número deve ser
bem maior pois, de acordo com informações dos índios, há muito tempo
não se faz um recadastramento.
Os índios alegam que a Funai não está fazendo o seu papel de
assistência há mais de cinco anos. Segundo a cacique Djanira, um
representante da Funai de Recife (Pernambuco) esteve na tribo há
seis meses, apenas tomou conhecimento rapidamente da situação e foi
embora, sem que nada fosse feito.
Além da assistência à saúde, os indígenas também reivindicam um
posicionamento sobre a reforma agrária, para definição da área de
reserva. Pois - segundo eles -, os fazendeiros estão reclamando a
falta de pagamento das terras que foram desapropriadas para fins de
reserva.
Tentativas de contato com a Funai, em Paulo Afonso (075-3281-3782,
3281-1961 ou 3282-1292) foram feitas sem sucesso. Na Fundação
Nacional de Saúde, em Salvador (071-3266-5216), um funcionário que
se identificou como Antonio Pádua, do setor administrativo, disse
que o "órgão estava em greve e não sabia da ocupação". Forneceu um
número de celular, pessoal, da coordenadora substituta da Funasa, em
Salvador, Raquel Mendes, para o qual várias tentativas de ligação
caíram em caixa postal. Em Juazeiro, não há núcleos da Funai nem da
Funasa.
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