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Índios na ‘selva de pedra’

Diario do Amazonas
04 de Abr de 2007

Manaus convive desde a sua fundação com a migração de indígenas vindos de suas terras em direção à cidade. Antes mesmo da atual política indigenista do País ser implantada, os índios e seus descendentes lutam para manter as suas tradições em meio ao caos da selva de pedra. Os obstáculos são muitos, vão desde o preconceito a incapacidade do poder público de lidar com a diversidade cultural dos povos existentes no Amazonas. Na cidade, por exemplo, as escolas e o sistema de saúde são desenhados para os não-índios e, consequentemente, a educação e a saúde de qualidade, dois itens vitais para a cidadania, ficam muito a desejar para os índios.

Expulsos, muitas vezes, das Terras Indígenas pela fome, falta de atendimento médico, água potável e comida, os índios são atraídos para as cidades em busca de melhores condições de vida. No entanto, quando chegam a Manaus se deparam com uma realidade igualmente cruel. Sem escolaridade, não conseguem empregos, são discriminados e terminam indo parar em moradias precárias nas periferias. O número daqueles que conseguem superar todos estes problemas, infelizmente, e manter os laços com os seus costumes ainda é pequeno.

O que faz o poder público diante da questão? Muito pouco. Prestar um atendimento específico de qualidade aos indígenas ainda é um horizonte distante para o Estado, em todas as suas esferas, pois ele não consegue sequer oferecer serviços públicos a maior parte da população (não-indígena), que também sofre com a falta de leitos nos hospitais, escolas deficitárias, água encanada, desemprego e a violência. Imerso em problemas sociais enormes, o máximo que os governos têm conseguido são pequenas iniciativas no campo da educação indígena nos centros urbanos. Nada sólido e consistente o bastante para começar a evitar que 80% dos índios que migram para Manaus deixem de falar sua língua originária.

E nada mais adequado que a capital mais importante da região com a maior população indígena do País (62%) comece a discutir e implementar políticas públicas capazes de tornar menos traumática a vida dos índios nas cidades. O primeiro passo para isso é enxergá-los, ou seja, tirá-los da invisibilidade das periferias e abrir um debate envolvendo o Estado e a sociedade civil organizada sobre quais caminhos podem ser trilhados na busca de uma solução capaz de integrar nossos irmãos indígenas à vida urbana sem tirar-lhes o seu bem mais precioso: sua cultura.

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