Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
28 de Jul de 2004
Aproximadamente 450 índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), das comunidades indígenas da região das Serras, na área Raposa/Serra do Sol, montaram na manhã de ontem uma barreira na aldeia Pedra Branca, a 300 quilômetros de Boa Vista.
Segundo informação do CIR, é uma barreira de fiscalização para impedir o ingresso de material de garimpo, bebida alcoólica e o furto de gado na terra indígena. A Funai (Fundação Nacional do Índio) e a Polícia Federal já sabem da iniciativa dos indígenas. Segundo informações repassadas ontem à noite para a imprensa pela Assessoria de Comunicação do CIR, estão sendo fiscalizados todos os veículos suspeitos de transportar cachaça e maquinários para a garimpagem ilegal na região.
"A fiscalização não inclui bloqueio da estrada nem impede a entrada de pessoas ou de veículos. No primeiro dia, uma caminhonete carregada de cerveja foi interceptada e o proprietário que se deslocava para o vilarejo Socó, recebeu orientação para retornar com o produto", informou o CIR.
As comunidades da Raposa/Serra do Sol estão reagindo ao aumento do garimpo nas cabeceiras dos rios Maú e Cotingo, segundo a nota. "Há mais de um ano, o Conselho Indígena de Roraima denunciou à Funai, Ministério Público, Ibama e Polícia Federal, a presença de balsas e garimpeiros nesses rios e nenhuma providência foi tomada".
O fiscal ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), Luismar Araújo de Souza, fez sobrevôo no rio Maú junto com o chefe de posto da Funai na região e o coordenador do CIR, Jacir José de Souza. Foram encontrados 10 acampamentos de garimpeiros no curso do rio Maú.
O fiscal registrou em GPS a localização dos acampamentos e enviará um relatório à Funai. "Com essas informações espera-se que seja organizada uma operação conjunta entre Ibama, Polícia Federal e Funai para retirada dos garimpeiros. Enquanto não acontecer a operação, os indígenas vão manter a fiscalização na aldeia Pedra Branca", frisou a assessoria do CIR.
OUTRA 1
Está na praça mais uma "descoberta" americana sobre a Amazônia. A partir de informações mandadas por dois satélites especialmente lançados para tal, Byron Tapley, professor da Universidade do Texas, garante que as águas do rio Amazonas interferem na gravidade do Planeta. Por conta disso, é fácil prever mais pressões para manter a região inexplorada para salvar a humanidade.
OUTRA 2
Outra dos gringos. Um relatório publicado em Genebra pela ONG Forest Trenos (americana) informa que as áreas declaradas comoreservas indígenasna Amazônia (alcançam hoje mais de 130 milhões de hectares contando apenas as existentes no Brasil, Peru e Bolívia) estão mais bem protegidas, e por um custo bem menor, que as mesmas extensões dentro de reservas nacionais. Para um bom entendedor, meia palavra basta.
INSATISFEITOS
Líderes indígenas contrários à demarcação da Raposa/Serra do Sol, em área contínua, estão insatisfeitos com a decisão do governo estadual que criou um Centro Regional de Educação Escolar Indígena na Comunidade Maturuca, onde fica o quartel-general do CIR. Junto com outro localizado na Maloca da Malacacheta, esses centros vão coordenar todas as atividades educacionais naquelas regiões.
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