Brasil Norte-Boa Vista-RR
Autor: IVO GALLINDO
12 de Jan de 2004
Será formulada ação judicial, além da continuidade de protestos com barreira no Contão e ocupação na Funai
Os índios insatisfeitos com a homologação da Raposa/Serra do Sol em área única decidiram ontem manter o protesto contra a decisão do governo Lula. Vão continuar ocupando a sede da Funai e mantendo fechada a estrada que passa na comunidade do Contão. A idéia agora é reunir os dados de todos os contrários e fazer uma marcha a Brasília.
Porta voz dos indígenas ligados a Sodiur, Arikon e Alidecir, o macuxi Jonas Marcolino concedeu entrevista coletiva ontem pela manhã, quando ratificou ser este o posicionamento de mais de 12 mil índios da região, algo em torno de 65% do total da Raposa/Serra do Sol. "Somos maioria e temos que fazer prevalecer pos nossos desejos e direitos", disse.
Jonas Marcolino informou que será feito um minucioso cadastramento dos índios da área pretendida, contendo a relação nominal com os dados pessoais: título de eleitor e identidade. "Mobilizaremos uma marcha com as lideranças indígenas para mostrar a realidade ao presidente Lula, que terá ciência de estar equivocado ao homologar em área contínua".
Acusou ainda o CIR de estar fraudando levantamento semelhante, incluindo o nome de crianças e até recém-nascidos. "Sempre procederam assim. Tenho amigos que são tuxauas lá e que confirmam isso. Pedra do Sol, por exemplo, é uma comunidade que tem três famílias. Oito alunos numa sala de aula. Todos estão nesta lista deles", denunciou o macuxi.
Protesto
Enquanto não é concretizada a ida a Brasília, os índios continuam na sede da Funai. "Se vier força policial para nos tirar, com muita sensatez, moderação e respeito ao patrimônio público, vamos desocupar o prédio e ficaremos na porta. Isso significa, na verdade, a expulsão do nosso povo da sua casa. Nossa intenção é ficar", ressaltou Jonas Marcolino. Acrescentou que o manifesto continuará pacífico e que os líderes não propõe o derramamento de sangue, mas avalia isso como inevitável no transcorrer do processo homologatório, caso se confirme área contínua. "O conflito não é o objetivo de nenhum brasileiro. Não queremos ferir ninguém. O Governo Federal é que não está contribuindo com a harmonia".
Justiça
Jonas Marcolino comentou que o artigo 232 da Constituição Federal garante ao índio a prerrogativa de buscar os seus desejos na Justiça. "Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todas as fases do processo. Entraremos com ações", antecipou.
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