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Índios ligados ao CIR fazem denúncias contra o Exército

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
09 de Mai de 2004

A reunião com os lideres das comunidades da Raposa/Serra do Sol, favoráveis à demarcação em área contínua, aconteceu na comunidade Uiramutã II e foi presidida pelo coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Jacir de Souza, que reiterou o pedido de homologação em área continuada, pois os brancos estariam matando os índios com a degradação dos leitos dos rios.

Quatro representantes das comunidades foram chamados a expor suas opiniões. Todos afirmaram que não somente é necessário demarcar a área, mas também fazer com que os arrozeiros indenizem os índios pela depredação dos leitos dos rios ocasionada pela prática da agricultura naquelas áreas.

Ao término da reunião, os líderes entregaram uma peça de madeira que reproduz o mapa da área pretendida para demarcação. Foi entregue também ao Presidente do Tribunal Federal da 1ª Região, desembargador Aloísio Palmeira Lima, uma carta com 380 assinaturas que continha todas as reivindicações feitas na reunião.

Durante todo o tempo os magistrados ouviram os discursos e não se manifestaram sobre o assunto em nenhuma das reuniões.

EXÉRCITO - Mais uma vez os representantes das comunidades ligadas ao CIR acusaram soldados do Exército de prostituírem as índias. Que a presença do pelotão somente havia prejudicado as comunidades, com doenças ocasionadas pelas relações sexuais que os soldados mantiveram com as mulheres da comunidade, inclusive gerando filhos e negando a autoria.

Dissera que os soldados invadiram uma de suas aldeias ateando fogo nas casas e espancando os indígenas. Eles acusam o Exército ainda de ter escravizado os índios.

Todas estas acusações constam na carta entregue ao presidente do TRF, Aloísio Palmeira. Ao final da reunião, o general Figueiredo, comandante geral do Comando Militar da Amazônia, disse que não acredita que as acusações sejam verdadeiras e que o pelotão permanece sem problema algum.

Antes de embarcar, o ministro Fernando Gonçalves, do Supremo Tribunal Federal, disse que o conflito de opiniões existe e é bem claro, mas se absteve de fazer qualquer declaração.

A desembargadora Selene Maria de Almeida disse que foi muito bom verificar in loco a real situação das comunidades indígenas da região, que a finalidade do convite do Exército não foi tratar deste assunto, mas eventualmente está sendo oportuno para conhecer a realidade local, ouvir o depoimento das pessoas e saber dos seus interesses e pontos de vista sobre aquilo que é mais benéfico para as comunidades. "Mas ainda tenho que estudar muitos dados estatísticos para formar uma opinião e decidir sobre o assunto", disse.

COMISSÃO - Além do ministro do STF, vieram seis desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Aluízio Palmeira, Daniel Paes Ribeiro, Jirair Aran Meguerian, Luiz Gonzaga Barbosa Moreira, Selene Maria de Almeida e Sebastião Fagundes de Deus.

Consta ainda na lista a procuradora geral da Justiça Militar, Maria Éster Tavares, o corregedor geral do Ministério Público Militar, Péricles Aurélio Lima de Queiroz, a procuradora geral da União da 1ª Região, Helia Bettero, e o consultor geral da União, Manoel Lauro de Castilho.

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