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Índios Kulinas negam canibalismo

Dourados News - http://www.douradosnews.com.br/leitura.php?id=4655
26 de fev de 2009

O assassinato do vaqueiro Océlio Alves de Carvalho, 21 anos, e o suposto caso de canibalismo cometido por índios kulina da aldeia do Cacau, no município de Envira, a 1,2 mil quilômetros da capital, é mais um episódio nas tensas relações entre indígenas, madeireiros, fazendeiros e caçadores da região.

O corpo do jovem teria sido esquartejado e partes dele devoradas pelos assassinos. Cópia de DVD do corpo mutilado do rapaz, filmado por amador antes dele ser colocado em caixão, é vendido na praça da cidade, acirrando o ódio contra os índios, relatou o pastor luterano Frank Tiss, que trabalha com os kulina de Envira.

Os kulinas não têm tradição de canibalismo, afirmou o pastor para a ALC. Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) garantiu que "não existe a prática de antropofagia entre os povos indígenas no Brasil contemporâneo". O crime aconteceu na quarta-feira, 4 de fevereiro.

Tiss contou que no início do ano passado, o cacique da aldeia Cacau, Zobai Kulina, foi achado morto em açude no caminho da cidade para a aldeia. Médica atestou morte por afogamento, mas índios viram lesões na cabeça do morto, suspeitando que a morte do cacique tivesse outra origem que não só o afogamento.

Embora solicitada autópsia mais apurada, nada foi feito, o que fortaleceu a tese dos índios. "Na tradição kulina, um assassinato exige vingança", explicou o pastor. Um dos quatro índios indiciados pela polícia acusados pela morte do jovem vaqueiro é filho de Zobai.

O cacique iniciara marcação das picadas ao redor da terra indígena, para assinalar as divisas da aldeia. A terra indígena do Cacau enfrenta agressões em três frentes: madeireiros tiram toras da área, fazendeiros invadem a área com gado e caçadores matam ou espantam a caça na região.

A aldeia do Cacau abriga em torno de 250 pessoas. A distância da cidade até a aldeia é de uma hora de caminhada. Desde 1985, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), através do Conselho de Missão entre Índios (Comin), está presente na Amazônia, prestando assessoria ao povo indígena kulina do Médio Juruá. Além do pastor Frank, sua mulher, Christiane, que é médica, prestam essa assessoria na área.

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