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Índios Katukinas recebem doações do Colégio Alternativo

A Gazeta -Rio Branco-AC
Autor: Pitter Lucena
31 de jan de 2002

Índios da nação Katukina receberam no último dia 28, seiscentos quilos de alimentos não perecíveis, roupas e brinquedos, doados pelos alunos do Colégio Alternativo, arrecadados através de gincanas escolares. O transporte da doação foi feito pela Tavaj linhas aéreas que opera no Acre nos municípios de Cruzeiro do Sul e Tarauacá, no Vale do Juruá. O trabalho faz parte da Campanha da Fraternidade com os povos indígenas.

A doação foi um trabalho desenvolvido pelo Colégio Alternativo de Rio Branco, que todo ano realiza uma grande gincana com pais e alunos, para arrecadar alimentos e produtos não perecíveis, a serem doados nas festas natalinas às pessoas mais carentes do Estado, dando um exemplo ímpar de solidariedade. "Isto o fazemos de coração todos os anos, e o que nos interessa mesmo, é despertar o espírito solidário das pessoas para com seus semelhantes mais necessitados", disse a diretora do Colégio, professora Fátima Santos.

A entrega de 600 quilos de alimentos, roupas, sapatos e brinquedos, foi coordenada pelo fotógrafo J. Diaz da Assessoria de Imprensa e a pesquisadora do Patrimônio Histórico Dinah Borges, que pela segunda vez procuraram amenizar as necessidades da comunidade Katukina. "O objetivo só foi alcançado graças aos entendimentos com a Tavaj, cuja diretoria não mediu esforços para transportar e entregar tão significante donativo aos Katukina em Cruzeiro do Sul", disse o fotógrafo que há vários anos vem realizando trabalhos com essa Etnia.

A Tavaj, empresa acreana, cuja matriz fica na cidade de Manaus, está operando há mais de sete anos como linha aérea, interligando os municípios acreanos de Rio Branco - Tarauacá - Cruzeiro e, grande parte do Estado do Amazonas, vem trabalhando para o desenvolvimento social e econômico nas cidades em que opera. "Porque não ajudar nossos irmãos índios que tanto precisam de nossa solidariedade. Eles são filhos dos verdadeiros donos deste Acre onde nascemos, e também é claro, deste imenso universo verde chamado Amazônia", frisa Nirlando Barbosa, Gerente Comercial.

Índios agradecem solidariedade

"Estamos tão felizes, que gostaríamos de conhecer nossos irmãos brancos do Colégio Alternativo, que arrecadaram tantas coisas para nós, e especialmente para nossos filhos. Não perdemos nossa cultura, mais a cultura dos brancos faz parte do nosso dia-a-dia, especialmente agora que estamos morando mais perto da cidade de Cruzeiro do Sul", disse o líder da Aldeia Bananeira, Evaldo Carlos Katukina, que junto com os demais líderes das aldeias Campina, Sumaúma e Martinho, realizam um curso de informática no Centro Tecnológico de Cruzeiro do Sul.

"Estamos também muito agradecidos com a Tavaj por ter feito o transporte dos 600 quilos de mercadorias para nós, que nunca teríamos condições de trazê-las de Rio Branco para nossas aldeias", salienta o líder Katukina, Orlando Assis. Afirmando ainda, "a Tavaj conhece nossas terras apenas voando por cima delas, nós a conhecemos cada metro quadrado do seu chão, por isso junto com os demais líderes da nossa comunidade, estamos autorizando a empresa divulgar nossa cultura para o mundo todo", finaliza.

Quem são os Katukina
A nação Katukina, do tronco lingüístico Pano, nasceu aldeia Sete Estrelas, no município de Tarauacá, às margens do rio Gregório, onde funcionava um seringal o mesmo nome nos tempos áureos da borracha. Da aldeia Sete Estrelas, aos poucos os índios foram migrando para as terras indígenas do Campinas atraídos pela abertura da BR-364 na década de 60. Na localidade do Campinas, os Katukina, vindos do Sete Estrelas, se concentraram primeiro em uma grande Maloca, e logo após a conclusão da abertura da estrada que cruza suas terras por 18 quilômetros, foram ficando nas suas margens e se dispersando pelas matas trabalhando no extrativismo da seringa, bem como no cultivo da agricultura de subexistência.
Hoje as famílias Katukina do Campinas em torno de 370 pessoas, estão agrupadas em quatro aldeias: Campinas, Sumaúma, Martinho e Bananeira. Cada aldeia tem o seu líder, ou outras lideranças, representantes da comunidade. Contam também com duas associações: A Consórcio Escolar das Escolas Katukina I e Katukina II, que são responsáveis pelas escolas e pela a AKAC (Associação Katukina de Campinas).

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