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Índios invadem sede da Funai-RR

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LUIZ VALÉRIO
07 de Jan de 2004

Os índios contrários a área contínua dizem que não querem ser comandados por Ong's

As entidades indígenas contrárias a demarcação da Raposa/Serra do Sol em área contínua ocuparam a sede da Funai (Fundação Nacional do Índio) para pressionar o Governo Federal a tomar uma decisão sobre a homologação de forma que preserve o Município de Uiramutã, encravado na reserva indígena. Eles também reivindicam a substituição do diretor da Funai, Martinho Alves, pelo tuxaua Abel Barbosa, indicado pelas entidades indígenas.

Os indígenas afirmam que só desocuparão a sede da Funai e cessarão o movimento de interdição das estradas, quando forem recebidos pela direção nacional do órgão para ouvir as suas reivindicações. Eles pretendem enviar uma comissão de 20 tuxauas para conversar com autoridades federais, inclusive com o presidente, Lula da Silva, sobre a questão fundiária local e as soluções possíveis para o problema.

Ao explicar os motivos da ocupação da sede da Funai, o tuxaua Gilberto Macuxi disse que os indígenas alinhados às entidades Sodiur, Alidcir e Arikom não querem a demarcação da Raposa/Serra do Sol em área única, pois a medida vai deixar os índios isolados. "Nós não queremos isolamento. Queremos que permaneça o Município de Uiramutã".

O vice-prefeito de Uiramutã, José Novais Pereira da Silva, indígena da etnia macuxi, disse que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, atropelou as determinações do presidente Lula, de que primeiro fosse feito o estudo aprofundado da situação pelo GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) para, somente após o resultado desse levantamento, decidir sobre a homologação da Raposa/Serra do Sol.

A declaração do ministro, segundo José Novais, beneficia apenas uma minoria de índios orientados pelo CIR (Conselho Indígena de Roraima) que seria financiado por ONGs internacionais.

"A ameaça de extinção do Município de Uiramutã é um desrespeito àquela comunidade. Uiramutã foi criado através de um plebiscito feito com os indígenas que vivem naquela região", lembrou. "Estão querendo colocar índios contra índios e se nós não formos ouvido as coisas tenderão a ficar pior. Os responsáveis pelas conseqüências serão as autoridades federais", declarou Novaes.

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