Séculodiário-Belo Horizonte-MG
Autor: Flávia Bernardes
04 de Out de 2004
Os índios do norte do Estado e de Minas Gerais devem se reunir na segunda quinzena deste mês com o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, em Governador Valadares (MG), para indicarem o novo nome para a coordenação da sede da Fundação Nacional do Índio (Funai). Antes, o cargo era ocupado por Fábio Villas, que foi exonerado, contra a vontade das comunidades.
Os índios mantêm a preferência pela volta de Fábio Villas, mas o presidente resiste em aceitar a readmissão. Por isso, nos próximos dias, os caciques irão se reunir para decidir o profissional mais indicado para ocupar o cargo do administrador. O nome escolhido será anunciado no encontro com Mércio, que deve acontecer entre os próximos dias 12 e 20, quando ele participa de evento nacional em Governador Valadares.
Segundo os índios, há um grande interesse da comunidade em eleger um administrador índio, mas para isso, é necessária uma articulação também com as aldeias de Minas Gerais, para só então chegar a um consenso. A exoneração de Villas causou grandes manifestações entre os índios, que o consideram como um aliado na luta das comunidades indígenas
Villas teria sido demitido após criticar a criação de uma nova portaria que nomeia Wilson Madson Andrada - considerado como "porta-voz" da Aracruz Celulose dentro da Funai - como coordenador dos dois estados, colocando-o entre o Villas e o presidente do órgão. Andrada não seria subordinado à Villas e estaria ligado diretamente ao presidente, o que foi considerado um desrespeito pelo ex-administrador, já que entre eles não existe a menor compatibilidade de idéias.
No Estado, os índios capixabas sofrem com a perda das terras e com a baixa compensação dada pela Aracruz Celulose, conforme acordo reajustado em 1999, que não está sendo cumprido pela empresa. A retomada das terras indígenas é a principal meta dos índios capixabas, além disso, eles exigem que a Aracruz Celulose recupere os rios que cortam as aldeias - Sahy e Guaxindiba -, poluídos por venenos lançados pela empresa em seus eucaliptais.
A Funai já reconheceu como Terra Indígena 13.589 hectares, mas até agora apenas 2.570 hectares foram demarcados para os três mil índios que constituem atualmente as seis aldeias de Aracruz, no norte do Estado.
O papel do administrador em casos como este é fundamental para intermediar os interesses das comunidades indígenas com a Funai e outros órgãos do Estado, a fim de garantir os seus direitos.
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