VOLTAR

Índios ganham novas reservas

Diário de Cuiabá
08 de fev de 2008

Sem espaço em Mato Grosso do Sul, índios da etnia Terena acamparam em Rondonópolis, mas não conseguiram terra. A Funai lhes deu 52 mil hectares (ha) no rio Iriri, entre Matupá e Peixoto de Azevedo.

Terra Indígena Marãiwatsede. Esse é o novo nome da área com 215 mil ha onde mil famílias vivem a agonia da espera pelo oficial de justiça que as despejará para integrá-la aos xavantes.

Marãiwatsede ocupa 70% de Alto Boa Vista. O restante de suas terras se estende por São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia. A reintegração ocorrerá a qualquer momento e não há plano para reassentar os posseiros que há mais de 30 anos cultivam aquela terra.

Alto Boa Vista será praticamente riscado do mapa da atividade econômica com a retirada dos posseiros de Marãiwatsede. Situação mais complicada ainda é a de Nova Nazaré - na mesma região - que tem a totalidade de sua área, inclusive a urbana, reivindicada pela Funai para ampliação do território Xavante.

A desocupação de Marãiwatsede já não está mais em discussão: acontecerá a qualquer momento. Na região, produtores convivem com a incerteza da validade documental de suas terras. Em dezembro de 2007 o ministro Tarso Genro (Justiça) criou a reserva Batelão, com 115.700 ha para a etnia Kayabi em Tabaporã, Juara e Nova Canaã do Norte. Em Batelão vivem centenas de famílias que produzem soja, arroz e milho em Tabaporã, e lidam com a pecuária nos outros dois municípios.

O desfecho de Batelão é previsível: desocupação para entregá-la aos índios que vivem em áreas muito distantes. A decisão de Tarso Genro foi criticada na Assembléia Legislativa e pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) Rui Prado.

A Amazônia Mato-grossense está em fase de consolidação econômica e enfrenta problemas com a falta de garantias jurídicas ao direito de propriedade. Essa situação dificulta o controle documental da produção agropecuária e do extrativismo vegetal. (EG)

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.