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Autor: Resley Saab
29 de Nov de 2010
Às 12h15 o movimento acabou, depois que a equipe da PF, composta por um delegado, prometeu intervir numa negociação com Brasília
Índios de nove etnias tomaram a sede da Fundação Nacional de Saúde no Acre, (Funasa) armados de arcos, flechas e lanças e "pintados para a guerra". Antes limitada apenas a alguns recintos, como o pátio e o saguão, nesta manhã a invasão se estendeu à sala do coordenador Regional do Órgão, José Carlos Pereira Lira, de onde às 11 horas a líder indigna Letícia Yauanauá enviava e-mail para várias instituições ligadas à questão indígena, comunicando da invasão ao prédio.
Há 27 dias, eles reivindicam melhorias no atendimento da saúde indígena.
Do computador da mesa de Lira, um comunicado à Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) foi enviado nos seguintes termos: "Prezados colegas, estamos fechando a Funasa no Acre por não suportar mais tantos sofrimentos. Espera (sic) que agora eles escutem nosso povo".
A exceção dos funcionários da Câmara de Vereadores -- que funciona provisoriamente em uma sala da Funasa, e de jornalistas --, ninguém saía nem entrava do prédio. Dois índios se posicionaram sobre o muro próximo ao portão de entrada como forma de intimidar quem tentasse deixar o prédio.
Uma das saídas encontradas por alguns servidores foi entrar no veículo de funcionários da Câmara.
A invasão aos setores administrativos da Funasa acontece depois que o grupo não viu suas reivindicações atendidas ainda. A principal delas é a mudança do administrador da Saúde Indígena no Acre, porque acreditam que a troca de gestor vai melhorar o atendimento para pacientes que buscam tratamento fora das aldeias.
"Desde que começamos este movimento, sete dos nossos já morreram por falta de assistência médica", relata João Domingos Cachinauá, uma das lideranças indígenas que integra a manutenção de José Carlos Lira sob cárcere privado, dentro de seu gabinete.
Nem os próprios funcionários próximos do coordenador estavam tendo acesso à sala. Eles perguntavam, a todo o momento, se Lira estaria sendo hostilizado, aos repórteres que podiam entrar.
"Não queremos ferir ninguém. Não vamos machucar ninguém, mas só sairemos daqui quando vermos que eles atenderam o nosso pedido", conta Francisco Jaminauá.
O coordenador da Funasa no Acre diz que o pedido de troca de comando das ações em saúde indígena já foi feito à Secretaria Nacional de Saúde Indígena em Brasília, e que a situação depende exclusivamente do aval do secretário nacional.
Outro fator que ocorre é a transição de competências. A saúde indígena está deixando de ser administrada pela Funasa para ser gerenciada pela Secretaria Estadual de Saúde. "Esta condição não é mais com a gente, embora estejamos aqui para ajudar no que for preciso", diz José Carlos Lira.
Por volta das 11h45, homens da Polícia Federal chegaram ao local. Antes, porém, várias guarnições da Polícia Militar cercavam o ambiente externo. Por se tratar de um órgão federal, a competência de agir em favor da libertação dos servidores é da PF.
Funcionária da Funasa há cinco anos, Ana Maria Martins, do setor de protocolo, teme que as coisas piorem dentro do prédio com o passar das horas.
"Não temos sequer uma lanchonete aqui e há pessoas quem têm problemas de pressão ou que precisam tomar medicamentos que estão em suas residências. Faço um apelo para que isso se resolva logo".
Às 12h15 o movimento acabou, depois que a equipe da Polícia Federal, composta por um delegado, prometeu intervir numa negociação com Brasília. Os índios, no entanto, continuam no ambiente externo como nos dias anteriores.
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