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Índios fazem ocas em antigo museu

O Globo, Rio, p. 29
08 de Ago de 2010

Índios fazem ocas em antigo museu
Governos ainda não sabem o que fazer com prédio invadido ao lado do Maracanã

Taís Mendes

A menos de quatro anos da Copa do Mundo no Brasil, o poder público ainda não sabe o que será feito do antigo Museu do Índio, que fica ao lado do Maracanã, palco da final do campeonato. O prédio histórico, erguido por escravos e índios, não é tombado por qualquer instituto de patrimônio e está em ruínas. A área, hoje ocupada por cerca de 20 índios de diferentes etnias, era de propriedade do Duque de Saxe e foi doada em 1865 para abrigar um centro de pesquisas sobre a cultura indígena.

No terreno ao redor do prédio histórico de dois andares, os índios construíram oito ocas improvisadas: com paredes feitas de barro e ripas de madeiras e telhados de amianto. Nelas, vivem precariamente índios de diferentes estados que estudam e trabalham no Rio.

O antigo museu, que hoje pertence ao Ministério da Agricultura, faz parte do projeto de revitalização do entorno do Maracanã para a Copa, segundo a Secretaria estadual de Turismo, Esporte e Lazer, mas seu destino ainda não está definido. O estado informou que está em negociação com o governo federal para usar o espaço. A prefeitura afirma que está participando desse acordo.

Chegou-se a especular que o imóvel daria lugar a um estacionamento, mas as administrações estadual e municipal não confirmam. Também não foi dada como certa a informação de que uma empresa privada espanhola estaria interessada em construir ali um shopping. Essa notícia teria feito com que índios invadissem o prédio em 2006.

Desde então, eles reivindicam a criação no espaço da primeira Universidade Indígena do Rio de Janeiro, para promover o ensino da história e da cultura indígenas.

- Na época, a reforma do prédio foi avaliada em R$ 2 milhões. No Rio, não há quase nada sobre a cultura indígena.

Muitos dos índios que chegam para estudar na cidade acabam morado em favelas. Agora, eles têm esse espaço. Mais de 40 etnias estão sempre passando por aqui - conta Niara, da tribo Fulni-o;, de Pernambuco, que participou da ocupação há quatro anos.

Chorando, Niara conta que já tentou licença para vender tapioca, mas não conseguiu.

O Globo, 08/08/2010, Rio, p. 29

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