VOLTAR

Índios fazem chefe da Funai refém

Correio do Estado - Campo Grande - MS
10 de abr de 2001

Ontem, o chefe do Núcleo da Funai de Dourados, Jonas Rosa, ficou refém de 350 índios da Aldeia Jarará, no município de Juti, a 70 quilômetros de Dourados. Ele ficou detido durante aproximadamente três horas.

A ação dos indígenas foi um protesto à falta de infra-estrutura na aldeia. Eles cobram a ativação das redes de água e energia elétrica. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) concluiu a obra da rede de água no local, mas paralisou o serviço.

Vestidos para guerra e armados com flechas, lanças e pedaços de pau, os índios bloquearam no final de semana a estrada vicinal que dá acesso à Fazenda São Miguel Arcanjo, que fica em frente à aldeia. Com o bloqueio da estrada, ficou impedito tanto o acesso à fazenda como a outras áreas da região.

Os índios acusam o produtor rural Miguel Súbtil, dono da fazenda, de estar impedindo a Funasa de levar energia elétrica até a aldeia e com isso colocar a rede de água – já construída – em funcionamento. Para chegar à área indígena, a rede de energia tem que passar pelas terras do fazendeiro.

Jonas Rosa foi detido no último domingo, quando foi verificar o protesto dos índios. Ele conta que chegou à aldeia, que tem uma área de 479 hectares, onde moram cerca de 700 índios guaranis-caiuás, por volta das 16h, sendo impedido de deixar local. Ele só foi liberado às 19h com a promessa de que intercederia pelos índios junto à presidência da Funai em Brasília, mandando um relatório sobre a situação.

Jonas informou que o clima na área é de tensão e que os índios ameaçam invadir a fazenda caso a Funasa não inicie imediatamente a implantação da rede de energia elétrica. De acordo com a Funai, até a tarde de ontem a entrada da fazenda permanecia bloqueada. A situação no local realmente nos preocupa. Já acionamos a Funai em Brasília sobre o que vem ocorrendo na área, afirmou Jonas Rosa.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.