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Índios enfrentarão madeireiros na flecha e na bala

A Tribuna - Rio Branco – AC
02 de mar de 2001

Irritados com a demora das autoridades brasileiras e peruanas em resolverem o problema da invasão de suas terras por madeireiros peruanos para roubar toras de mogno, cedro e outras madeiras nobres, os índios Ashaninkas do Rio Amônia, localizadas a 810 quilômetros noroeste de Rio Branco, no Acre, já decidiram que daqui a diante vão receber os invasores na flecha e na bala. A decisão foi comunicada aos fiscais do Ibama pelo filho do cacique Antônio Pyãko da Aldeia Apiwtxa, Benke Pyãko, o qual é o responsável pelo setor de preservação e manejo ambiental da Associação dos Ahaninkas do Rio Amônia, cujas terras se estendem por 63 mil hectares no município de Marechal Thaumaturgo, fronteira com o Peru, no Vale do Juruá.
A última invasão da área foi denunciada pelos índios no dia 23 de dezembro passado, mas as autoridades brasileiras não conseguiram prender ninguém, muito embora, de acordo com os índios, cerca de 300 madeireiros invadiram suas terras na região dos rios Amoninha e Toldado. A terra indígena mede 63 mil hectares e nela vivem pouco mais de 400 pessoas. Do lado peruano, está a terra Indígena Ashaninka de Sawawo, com 60 mil hectares e pouco mais de 120 pessoas em sua aldeia principal. Quanto à invasão de suas terras pelos madereiros, Benke afirmou que:
"No momento não há qualquer derrubada de madeira e mesmo as derrubadas não foram retiradas por causa da ação da polícia, mas os madeireiros não foram punidos e quando chegar o verão (de abril a novembro) eles voltarão com certeza. Aí teremos de tomar nossas providências". De acordo com ele, os peruanos que fugiram ao saber que a Polícia Federal Brasileira e o Exército estavam se deslocando para a área, e prometeram voltar, já que aquela é uma região riquíssima em madeiras e eles afirmam não haver qualquer demarcação da fronteira.
"A decisão de reagirem com armas a qualquer nova invasão foi tomada em assembléia geral e toda confusão está acontecendo por causa do desaparecimento de um marco de fronteira que servia para orientar as pessoas sobre a linha divisória entre os dois países", informou o fiscal do Ibama, Francisco William de Oliveira Costa, um dos três que esteve no local há uma semana.
HISTÓRICO Há pelo menos dez anos os índios denunciam a invasão de suas terras por caçadores e especialmente madeireiros sem conseguir a proteção devida. No início da década de 90, a empresa madeireira pertencente ao ex-governador do Acre, Orleir Cameli, invadiu a área e derrubou mais de 500 toras de cedro e mogno. A empresa foi multada pelo Ibama, mas o processo ficou "adormecido", na Justiça Federal por alguns anos e acaba de ter sua sentença recalculada pelo Supremo Tribunal de Justiça em R$ 40 milhões a serem pagos como indenização para aquela comunidade indígena, mas nem um centavo foi pago.

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