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Índios e posto da FUNAI são atacados à tiros na área reocupada da Urubu Branco

Jornal O Parlamento - http://www.jornaloparlamento.com.br/index.php?idn=7581&m=layout&s=noticia
Autor: Luciano Ahualli da Silveira
25 de out de 2009

Mais um episódio na questão da reocupação das terras indígenas da aldeia Urubu Branco deixa de sobre aviso os funcionários da FUNAI e os índios estão na área onde a policia federal realizou a operação de desocupação.

Segundo relatos feitos pelo coordenador do grupo técnico de desocupação da área, três funcionários da FUNAI e dois índios Tapirapés chegaram à aldeia Urubu Branco informando que tinham sido alvo de tiros na parte norte das terras indígenas. Os cinco estavam dentro da casa que era de Valdir Pinto Geraldo - desocupada por mandado judicial, quando pelo menos quinze tiros foram feitos contra eles por pessoas que não puderam ser identificadas por partirem de dentro de uma mata que fica em um murro de frente com a casa. Ninguém foi ferido, mas a situação colaborou para deixar ainda mais tenso o clima na região.

A casa alvejada hoje serve como posto de controle da FUNAI onde apenas as famílias que ainda tem permissão da justiça para estarem dentro da área podem passar.

Uma equipe composta por membros da policia civil e militar retornou com as vítimas ao local do atentado. As primeiras informações dizem que os tiros partiram de um grupo que chegou até o próximo do local em motocicletas e caminharam para encontrar lugares que dificultavam serem vistos dentro da mata.

A polícia civil inicia as investigações com o nome de pelo menos quatro suspeitos que em momentos diferentes já teriam feito ameaças aos ocupantes da mesma casa alvejada pelos disparos.

Pelo menos três servidores da FUNAI já haviam recebido ameaças através de recados e até pessoalmente, fato que teria sido testemunhado por indígenas.

AMEAÇA INDIGENA - Diante do atentado contra índios que estavam no posto da FUNAI, os indígenas passaram a exigir a retirada imediata de todos os não índios das terras, mesmo aqueles que ainda continuam ali através de liminares. A intenção é queimar e derrubar as todas as casas que estão dentro da terra indígena.

Outras etnias souberam do ataque e ofereceram ajuda aos Tapirapés, índios da Reserva do Xingu e índios Karajás, considerados muito mais agressivos, já se preparam para se deslocarem para a região do conflito.

A FUNAI já foi informada, mas só agirá na segunda-feira, durante o expediente. Já a policia federal está enviando homens para Confresa na tentativa de evitar um confronto direto entre índios e ocupantes da área.

A preocupação agora passa ser com a integridade das famílias que permanecem no local, já que um grupo de quarenta índios se movimentará nesta segunda-feira para ocupar definitivamente a região. A possibilidade de conflito certamente levará o grupo a se armar, uma vez que aos índios é permitido portar armas de caça, mesmo que sejam armas de fogo.

URUBU BRANCO - A área de 167 mil hectares fica no município de Confresa (MT), distante 1.160 quilômetros da de Cuiabá, e foi homologada em 1998. Desde essa data uma grande batalha judicial se arrastava nas altas esferas do judiciário federal, sendo que a última decisão dada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro César Asfor Rocha, derrubou decisão anterior do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que impedia a desocupação de não índios da terra indígena Urubu Branco.

Durante a desocupação realizada em setembro deste ano, um grande aparato de segurança e fiscalização foi mobilizado durante quase um mês para garantir que os índios ocupassem a região conhecida como Fazenda Porto Velho, terras ocupada por centenas de famílias de posseiros que viveram durante todos estes anos no local.

Equipes da Policia Federal, FUNAI e IBAMA retiraram as famílias e fiscalizaram e multaram as áreas onde houve degradação ambiental.

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