Radiobrás
Autor: Amanda Mota
25 de Mai de 2007
Representantes do movimento civil organizado de indígenas e negros do estado realizaram hoje (24) uma manifestação conjunta para pedir mais atenção às políticas públicas específicas aos dois grupos, a preservação das culturas desses povos e o combate ao chamado racismo institucional - situações de discriminação que partem de instituições públicas ou privadas.
Para o presidente da União dos Povos Indígenas de Manaus (Upim), Aldenor Tikuna, essa união representa um esforço no sentido de garantir a implementação de políticas públicas que atendam às necessidades de ambas as populações.
"O ponto comum entre negros e índios no Amazonas está justamente na busca pela implementação de políticas que de fato atendam a nossas necessidades. Esse evento conjunto também permite maior conhecimento de uns sobre os outros, o que nos fortalece como movimento organizado e para exigir um aporte melhor por parte das autoridades e do poder público", disse Tikuna.
Dulce Batista, integrante da equipe de coordenação do Fórum Permanente Afro-Descendente do Amazonas, concorda com a opinião do líder da Upim e destaca a importância das discussões que envolvem a temática. Ela informou que, desde 2004, o Fórum Permanente Afro-Descendente do Amazonas reúne mensalmente membros de organizações não-governamentais, estudantes, pesquisadores, professores e Ministério Público para discutir os problemas enfrentados na região e encaminhar soluções ao poder público.
O coordenador do programa de Políticas de Gênero, Raça e Inclusão da Secretaria de Direitos Humanos de Manaus, Alvino Lemos, considera que tanto o movimento negro, quanto o movimento indígena, são movimentos historicamente oprimidos. Para Lemos, todas as formas de opressão devem ser combatidas.
"Isso tudo tem a ver com direitos humanos. Percebemos que a partir dessa visão, todas as opressões tem de ser combatidas e, na medida em que dois grupos que se sentem marginalizados e se unem para enfrentar a situação, o movimento ganha vida e força para esse combate, que é necessário", destacou Lemos.
O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), informou que até o fim deste ano será instituído o Fórum Estadual para Promoção da Igualdade Racial, que atuará no sentido de acompanhar e estabelecer ações efetivas para o combate ao racismo.
De acordo com a Fundação dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepi), em todo Amazonas vivem cerca de 120 mil índios, divididos entre 66 povos. Eles ocupam cerca de 27% do território estadual, o equivalente a 157 milhões de hectares. Não existem dados oficiais sobre o número de negros vivendo no Amazonas.
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