G1 - g1.globo.com
21 de Jun de 2008
Governo quer lançar bairro nobre em área de reserva índigena.
Índios afirmam que ocupam a área há quase 40 anos.
A Justiça em Brasília está com um caso difícil. Tem de decidir entre o bem espiritual de um grupo de indígenas e a intenção do governo do Distrito Federal de lançar um novo bairro nobre.
Um grupo de menos de 30 índios ocupa há décadas uma área onde está planejada construção de habitações para 40 mil pessoas e se recusa a sair.
O terreno da polêmica fica em Brasília, tem 286 hectares, e fica a menos de 10 quilômetros do Palácio do Plantalto.
O problema começou quando o governo do Distrito Federal decidiu construir aqui um bairro nobre, destinado à classe média alta. Fez os estudos, as projeções e vai lançar o edital no mês que vem. Só faltou um detalhe: não combinou acordo com os índios
"Nínguém vem conversar com a gente, nós não somos animais , nem bicho", disse ururaê Kariri Chocó
A companhia imobiliária de Brasília tem a posse da terra e a quer de volta.
"Os índios são invasores de terra pública e serão tratados como invasores de terra pública", disse o presidente da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), Antônio Gomes.
Os índios contestam. Afirmam que ocupam a área há quase 40 anos. Aqui eles moram, plantam, fazem artesanato e praticam rituais.
"Onde nós índio habita, e onde nós faz nossa morada, eu acho que é uma, se torna uma terra sagrada", disse Touê Funiô
Não é o que pensa o governo local. No chamado setor noroeste, o projeto é construir 220 blocos de apartamentos para 40 mil pessoas.
"Nós até poderíamos , se quiséssemos, tirá-los usando do poder de polícia, mas não faremos isso porque queremos uma ordem judicial para que a gente possa então autorizado pelo poder judiciário tirar esses índios desse local", disse o presidente Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), Antônio Gomes.
As quatro famílias funiô, kariri e tuxá brigam na Justiça pelo direito de permanecer na reserva. Elas recusam a proposta do governo de transferí-las para uma área distante 40 de lá.
"Não adianta transferir para uma outra área, eles têm um elo espiritual com a reserva do bananal", explica a defensora pública da União, Liana Pacheco.
A Funai acompanha a briga.
"Mesmo não sendo uma terra indígena, porque não se trata aí de uma terra indígena, eles têm o direto de serem respeitados e não serem realocados e reassentados sem que isso seja discutido amplamente", disse o presidente da Funai, Marcio Meira.
"Essa terra é indígena e é sagrada porque o grande espírito colocou nóis aqui. É por isso que nós obedecemos e estamos aqui até o fim e daqui nós não vamos sair pra lugar nenhum", disse Ivanice Pires Tanuné.
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