Brasil Norte-Boa Vista-RR
13 de Mar de 2005
O governador Ottomar Pinto e a primeira-dama Marluce Pinto participaram das atividades em Contão
Enquanto crianças das etnias cinta larga, do Centro-Oeste, e ianomâmi, de Roraima, morrem por desnutrição, os macuxi da comunidade do Contão, localizada no norte do estado mostram como é possível reverter esse quadro desfavorável aos povos indígenas. Com uma parceria estabelecida entre a Associação dos Arrozeiros de Roraima e aquela comunidade, foi possível plantar num total de 110 hectares.
A colheita da primeira lavoura indígena irrigada de arroz de Roraima teve início na manhã de ontem, com a presença de produtores, índios macuxi das comunidades vizinhas à maloca do Contão, autoridades das esferas estadual, municipais e federais.
Segundo o presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, Luís Faccio, esse é um momento histórico para Roraima e prova que é possível fazer o progresso da região e das pessoas que ali vivem.
Ele citou o exemplo dos indígenas que vivem na terra de São Marcos. "Eles vivem em situação de abandono e não produzem nada. Aqui, temos um exemplo de como promover a paz e prosperidade entre índios e não-índios"
Esse projeto foi elaborado pelos índios e tramitava na Câmara Federal para financiamento e execução. Entretanto, devido ao rigor e entraves da burocracia, não houve avanços.
Segundo o tuxaua Genival Silva, os arrozeiros decidiram abraçar a causa e financiaram cerca de 300 mil reais para alavancar o projeto. Para ele, é uma satisfação trabalhar e ver os resultados dessa primeira colheita.
Genival disse que a comunidade já vislumbra a possibilidade de ter energia elétrica 24 horas e receber financiamento e pacotes tecnológicos para a segunda safra. "Nossa vontade e ter até duas safras por ano, para isso precisamos das estradas para o escoamento da produção, assim como energia elétrica para baratear os custos, que com óleo diesel é muito alto".
Os macuxi mostraram-se empolgados com a possibilidade de erradicar a pobreza da comunidade e reduzir as diferenças sociais com trabalho, produção e emprego de recursos tecnológicos de produção.
O governador Ottomar de Souza Pinto esteve presente no evento. Para ele, a comunidade indígena do Contão está vivendo um momento histórico e sobretudo demonstra que a união entre indígenas e não-indígenas pode acabar com o sofrimento dos índios, que vivem em pobreza permanente.
"Tenho certeza que se essa ação acontecesse quinze anos atrás a questão indígena não existiria e preconizo aos pretendentes da demarcação em área contínua: se acontecer, haverá a inexistência de serviços públicos, escolas, postos de saúde, estradas e incentivo a agricultura nas terras que passarão a ser de responsabilidade do Governo Federal", disse Ottomar.
Nessa primeira experiência foram plantados 110 hectares, que segundo acordo entre as duas partes, após a colheita, subtrai-se o que foi investido em insumos, máquinas, defensivos, tecnologia e infra-estrutura em favor dos financiadores e o excedente é revertido para comunidade indígena, nesse caso cerca de 200 mil reais.
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