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Índios do Sertão vão ter socorro de Ministério da Segurança Alimentar

Gazeta de Alagoas-Maceió-AL
Autor: ARNALDO FERREIRA
14 de Out de 2003

Defesa Civil afirma que estiagem avança e arrasa parte de Palmeira dos Índios

Os mais de dois mil índios das tribos caruazú, gerinpancó, kalancó, katoquim, kurupancó, todos localizadas entre os municípios de Pariconha e Água Branca, na região do Vale do Moxotó, distante cerca de 300 quilômetros de Maceió, vão receber alimentos e caminhões-pipa emergencialmente do Ministério da Segurança Alimentar (Mesa).
A garantia de socorro foi dada ontem pelo ministro José Grazziano da Silva. Em contato telefônico com a GAZETA DE ALAGOAS garantiu: "Os índios do sertão alagoano serão socorridos pelo Mesa".
Para que o socorro chegue imediatamente, o ministro pediu à Administração da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Alagoas que envie para o ministério um relatório sobre a situação. "A gente precisa do número de famílias de cada tribo, a descrição dos estragos causados pela estiagem e a definição da distância que eles estão de Maceió", frisou o ministro na recomendação que fez para a Funai.
Para a Coordenação Estadual do Fome Zero pediu também relatório da situação. "Precisamos saber se os índios têm condições de retirar os alimentos do armazém mais próximo da Companhia Nacional de Abastecimento Alimentar (Conab). Se não houver condições vamos providenciar, inclusive, uma forma mais rápida de levar os alimentos às comunidades", prometeu o ministro, que soube do drama vivido pelos índios por meio da reportagem especial publicada na GAZETA DE ALAGOAS na edição de domingo passado.
Na reportagem, o administrador em exercício da Funai, José Heleno de Souza, alertou para o desespero de mais de 2 mil índios do Sertão que ameaçavam ocupar a sede do órgão em Alagoas como forma de conseguirem alimento e água para as tribos.
O ministro Grazziano disse que se os municípios de Água Branca e Pariconha tiverem decretado estado de emergência, vai determinar que as comunidades indígenas recebam água tratada, o mais rapidamente possível.
Os dois municípios fazem parte da relação dos 30 municípios que o Estado decretou estado de emergência e a Coordenação Nacional de Defesa Civil reconheceu como grave a situação de mais de 200 mil pessoas do Sertão.
Mais sete municípios do Sertão e Agreste requisitaram ao governo que seja decretado estado de emergência.
Defesa Civil
O coordenador Estadual da Defesa Civil, coronel Paulo César Salles de Santana, recebeu, ontem, novos relatórios sobre o agravamento da situação da estiagem. "Os reservatórios do Sertão estão praticamente secos. Em muitos pontos já não tem mais água nem para os animais", afirmou o coronel Paulo César, que é também comandante-geral do Corpo de Bombeiros.
Segundo os relatórios técnicos da Comissão Estadual de Defesa Civil, os efeitos dramáticos da longa estiagem avançam rapidamente para boa parte do Agreste, que enfrentam as altas temperaturas do verão. "Uma parte de Palmeira dos Índios não tem mais condições de plantio e os animais são atendidos com água de caminhões-pipa", revelou o coronel Paulo César ao demonstrar preocupação com o agravamento da situação.
A Defesa Civil ainda não tem idéia do prejuízo na agricultura e na pecuária. Porém, confirma as informações de que mais de 30 municípios tiveram perdas totais das culturas tradicionais.
A presidenta da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Rosiana Beltrão, teme o crescimento da mortalidade infantil.

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