Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: TIANA BRAZÃO
25 de Nov de 2004
Os índios ligados à Sociedade de Defesa dos Índios de Roraima (Sodiur) e ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), que montaram barreiras nas principais entradas de acesso à reserva Raposa/Serra do Sol, em Uiramutã, disseram que membros do Gabinete de Gerenciamento de Crise que vão manter a mobilização. As barreiras estão na região das Placas, na maloca do Contão e também na aldeia Pedra Branca. A Sodiur é contra a homologação contínua da reserva e o CIR favorável.
Os índios ligados à Sodiur disseram que só desmontarão a barreira se os índios do CIR retirarem a outra. Caso contrário, permanecerão no local por tempo indeterminado. Já os índios ligados ao CIR disseram que a fiscalização vai continuar enquanto a situação da homologação das terras não for definida.
A Folha acompanhou a ida da equipe de gerenciamento de crise do Estado até a região do município de Uiramutã, que foi apurar as denúncias sobre rizicultores que teriam apoiado os índios nas invasões de aldeias. Os policias foram também tentar convencer os índios a desbloquearem os dois trechos das estradas.
Às 6h de ontem o comboio composto de nove carros, incluindo viaturas da Polícia Militar, Polícia Federal e de outras instituições, se encontraram na região das Placas, a aproximadamente quatro quilômetros da barreira montada pela Sodiur.
Chegando ao local, por volta de 7h, cerca de 500 índios se reuniram em um galpão com o diretor regional da PF, Osmar Tavares, o secretário de Segurança Pública, João Fagundes, o administrador regional da Funai, Benedito Rangel, e o secretário estadual do Índio, Adriano Nascimento.
O secretário de Segurança iniciou a reunião ressaltando que o assunto homologação já ultrapassou de um poder para o outro e não adianta querer fazer justiça com as próprias mãos. "Para se reivindicar direitos, deve-se estar dentro do direito. Quem defende uma situação ou outra deve conduzir as comunidades de forma ordeira até que se tenha conhecimento da decisão", disse.
Fagundes afirmou aos indígenas que passar tratores e destruir casas não vai apressar nenhuma decisão. Pelo contrário, a Polícia Federal não vai se furtar de apurar todos os fatos para responsabilizar quem quer que seja. "Queremos o mesmo resultado, que se acabe com as duas barreiras. O primeiro passo é estabelecer termos de responsabilidade e cada um vai assumir as responsabilidades de manter a tranqüilidade nestas localidades", disse.
ATRIBUIÇÃO - O diretor da PF, Osmar Tavares, explicou aos indígenas que o combate ao tráfico de drogas na região não justifica a montagem da barreira, uma vez que por se tratar de terras da União a atribuição deste trabalho se volta evidentemente para a Polícia Federal.
"Essa é uma tarefa da Polícia Judiciária da União. Somos pagos para fazer este trabalho, e evidentemente para que a Polícia Federal faça uma investigação precisa vocês precisam denunciar. Para isso temos uma delegacia especializada em prevenção e repressão as drogas", disse.
"Não adianta as comunidades quererem fazer este trabalho, pois isso é uma atribuição eminentemente da Polícia Federal, o que não quer dizer que vamos montar um posto de fiscalização aqui para combater a eventual passagem de drogas", voltou a afirmar.
PERMANÊNCIA - Depois de ouvir também o administrador da Funai, Benedito Rangel, a representante da Alidcir (outra entidade contra a homologação), Jucerlane Lima, falou em nomes dos indígenas que ali se encontravam.
"Os índios ligados ao CIR disseram que vão resistir até o ultimo índio. Isso é uma afronta não só a Justiça, mas também a nós indígenas, que carregamos uma bandeira. Muitas coisas aconteceram e nós ficamos calados. Agora estamos reagindo, porque se continuarmos calados não vamos ser ouvidos", disse.
"A Funai tem uma política totalmente voltada para eles, enquanto falamos, falamos não ligam para a gente. Só vamos sair daqui quando eles cumprirem um acordo oficial assinado junto às autoridades competentes. Se eles não fizerem, a gente também não cumpre, e vamos ficar aqui", disse. (T.B.)
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