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Índios dizem que não existe água nas aldeias de Dourados

Dourados News-Dourados-MS
08 de Abr de 2005

A falta de água nas aldeias, principalmente potável, têm acometido vários índios à morte e também gera o crescimento assustador da clandestinidade na compra e venda de bebias alcóolicas, conforme depoimentos dos capitães das aldeias Jaguapirú e Bororó: Hélio Nimbu e Luciano Arévalo. Eles foram ouvidos na quinta audiência da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da desnutrição e mortalidade infantil indígena, realizada nesta Quinta-feira, a partir das 15 horas, no Plenarinho da Assembléia Legislativa.

Arévalo confidenciou ao presidente da Comissão, deputado estadual Maurício Picarelli (PTB), que o pouco de água que existe nas aldeias situadas ao sul do Estado está completamente contaminada e suja. A beira da desidratação, vários famílias são obrigadas a ingerir a usufruir da ilegalidade do álcool. "Água é escassa, não temos nem sequer água pra lavar nossas roupas, quem dirá pra beber. Temos que utilizar a água dos rios e mesmo assim, esta é suja", confirmou o capitão bororó.

Em seu depoimento, Arévalo argumentou que a alimentação dos índios também é insuficiente, existindo famílias que sobrevivem com a doação de apenas uma cesta básica por mês, fator que compromete a saúde da maioria dos membros da casa, principalmente das crianças que são as que mais sofrem com a situação. "Não temos alimentação suficiente e nem terra pra plantar. Numa área de 1.444 hectares, habitam cerca de 11 mil índios e a única raiz que brota é a da mandioca. Infelizmente não temos mais terras", acrescentou.

Preocupado com a situação, Picarelli fez questão de dizer que a CPI vai enviar à Sema (Secretaria Estadual de Meio Ambiente) um ofício solicitando ao secretário José Elias Moreira uma equipe especializada para realizar testes de contaminação nas aldeias do Estado.

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