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Índios desocupam sede da Funai

Diário do Nordeste
20 de mai de 2007

Amanhã, a Funai anunciará o cronograma de instalação da Administração Executiva Regional no Ceará

Depois de quatro dias acampados na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Fortaleza, os índios cearenses comemoraram a conquista da principal reivindicação: a promessa de instalação de uma Administração Executiva Regional (AER) no Ceará. A notícia foi anunciada na tarde de sexta-feira, mas só na manhã de ontem os índios decidiram, em plenária, pela desocupação do prédio. Antes, dançaram o ritual sagrado do Toré em agradecimento às conquistas alcançadas.

Amanhã, em reunião, às 14h30 na Procuradoria da República, a Funai - representada por Petrônio Machado, da AER de João Pessoa, e de um enviado de Brasília - anunciará, para uma comissão indígena, o cronograma de instalação da AER no Ceará e o nome do novo coordenador do Núcleo de Apoio Local da Funai.

Nemézio Moreira de Oliveira Júnior, o ex-coordenador local, pediu afastamento do cargo na última terça-feira, um dia antes dos índios ocuparem a sede da Funai. O motivo, segundo ele, seria a extinção da unidade financeira que existia no núcleo , deixando-o subordinado à administração de João Pessoa, para onde também são encaminhadas as decisões políticas.

Reféns

Os índios das etnias Tapeba, Pitaguari, Jenipapo-canindé, Tremembé, Potiguara, Tabajara, Calabaça, Canindé de Aratuba e Anacé chegaram a manter quatro reféns, entre eles o próprio Nemézio. Quando chegaram à sede, na última quarta-feira, eram cerca de 400. Ontem, quatro dias após, saíram os últimos 120, incluindo crianças e adolescentes.

No documento enviando na tarde de sexta-feira aos índios, o presidente da Funai, Márcio Augusto Freitas de Meira, assume o compromisso de transformar o Núcleo de Apoio Local em uma Administração Executiva Regional. Mas também pede paciência aos índios. "Solicito que se aguarde a conclusão dos estudos com vistas ao processo de reestruturação desta fundação, objetivando, assim, torná-la mais eficiente na prestação do atendimento à reais necessidades originárias dos povos indígenas", diz.

Para os índios, a mudança representa a possibilidade de uma maior autonomia político-financeira do Ceará.

SETE SALAS - Aparente tranqüilidade para os acampados

Quatro dias de aparente tranqüilidade - apesar da privação de liberdade dos funcionários da Funai - mas com um pouco de tensão permeando o dia-a-dia. Da quarta-feira última até ontem, o prédio da Funai, no bairro da Parquelândia, ficou completamente transformado, com pessoas amontoadas, onde redes armadas e utensílios domésticos se misturavam com o material de escritório.

Nas sete salas ocupadas pelos índios, havia também colchões, lonas e alimentos fornecidos pela Defesa Civil de Fortaleza. Os indígenas, entretanto, não estavam muito preocupados com bem estar.

Lutas antigas

A intenção era pressionar para conseguir suas reivindicações que, em alguns casos, já eram antigas na luta dos índios. Eles queriam a mudança na administração local da Funai, a instalação de um núcleo de assistência jurídica e a demarcação de terras no litoral e interior. A reivindicação, principal era a transformação do Núcleo de Apoio Local em Administração Executiva Regional (AER). Até ontem, no Nordeste, o Ceará era o único estado que não possuía uma administração. A Funai era vinculada à unidade de João Pessoa.

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