Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
17 de Mai de 2004
Os 250 índios que estavam acampados na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) desde o último dia 10 de maio, deixaram o prédio por volta das 13h do sábado, depois de assinarem um ofício solicitando a saída do atual administrador, Manoel Tavares.
Ao deixar o órgão, os indígenas entregaram as chaves a uma servidora depois que o prédio foi vistoriado por agentes da Polícia Federal e um representante do Ministério Público. Como não foi constatada nenhuma depredação do órgão e nem dos materiais, os Policiais Federais somente acompanharam a saída dos índios.
O vice-prefeito de Uiramutã, tuxaua José Novaes, disse que não havia motivo para que eles permanecessem no local. Que até o presente momento, as decisões tomadas pela justiça já indicam uma vitória das organizações contrárias a homologação em área contínua. "Mas não vamos descansar. Este assunto ainda não foi encerrado e a qualquer momento pode surgir outra novidade e nós temos que estar atentos para tomar nossas providências" disse.
O tuxaua falou ainda que sempre foi consciente da proposta apresentada. "Se a justiça compreender as necessidades do nosso povo. Todas as decisões serão favoráveis as nossas propostas" acrescentou.
Ele disse que mesmo deixando o prédio, não quer dizer que os índios estejam tranqüilos. Disse também que a barreira montada por índios da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur) na região do Contão, Município de Uiramutã, não será retirada. "Não temos o poder de polícia, mas sabemos que é necessário o policiamento naquela região, por isso montamos barreira naquela localidade"informou. José Novaes lembrou da prisão de funcionários da Funai de Rondônia que estavam contrabandeando artesanatos indígenas e outros produtos ilegalmente. "É isso que não podemos permitir em Roraima"finalizou.
Os índios estavam desde a última segunda-feira acampados no prédio como forma de chamar a atenção do Governo Federal para as comunidades que são contra a demarcação em área única das terras indígenas Raposa/Serra do Sol. No dia em que os índios ligados à Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur), Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima (Alidcir ), Associação dos Rios Kinô, Cotingo e Monte Roraima (Arikon), invadiram a Funai, o funcionário Milamar Custódio ficou detido das 10 às 19h, quando foi liberado após assinar um acordo com os indígenas. Mesmo as lideranças negando que o funcionário tenha sido feito refém, em depoimento à Polícia Federal, Milamar confirmou que foi mantido preso durante todo o dia na sala da administração do órgão. No dia 11 foram colocados pneus nas dependências da Funai especulando-se um possível incêndio da sede por parte dos índios que estavam ocupando o local caso não houvesse uma rápida resposta de Brasília. Nesse mesmo dia a Funai pediu ao Ministério público Federal a reintegração de posse do prédio invadido pelos índios. Os indígenas só resolveram deixar o prédio na sexta-feira, dia 14, quando a decisão da desembargadora Selene Maria de Almeida do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foi publicada pedindo solução pacífica para homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.
Na decisão, a desembargadora manda excluir da demarcação da reserva as sedes dos municípios, as vilas e as respectivas zonas de expansão, as rodovias estaduais e federais e faixas de domínio, os imóveis com propriedade ou posse anterior ao ano de 1934, além dos plantios de arroz irrigados, no extremo sul da área pretendida. Mantendo desta forma a decisão do Juiz Federal Helder Girão Barreto.
Os indígenas que permaneceram até o sábado no local. Deixaram a sede pacificamente, retiraram as faixas e os pneus que lá haviam sido postos e durante o final de semana, somente um segurança de uma empresa particular esteve guardando o prédio. (T.B.)
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