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17 de Ago de 2009
Capital News
O representante indígena brasileiro na ONU (Organização das Nações Indígenas) Marcos Terena, em Campo Grande desde o início desta semana, esteve presente em evento da Prefeitura e da CEF (Caixa Econômica Federal). Marcos Terena é também gerente do Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília (DF), onde mora. Ao Capital News, ele respondeu questões sobre os conflitos em torno dos estudos da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Mato Grosso do Sul.
"Isso é tudo jogo de cena das entidades que representam os produtores. Quando nós conversamos frente a frente com os fazendeiros que não são latifundiários, vimos que eles aceitam a retomada. Por isso, a discussão tinha que ser feita de forma gradual e não em bloco porque senão gera este conflito", diz.
Parra Marcos Terena, o índio não é um inimigo do não-índio. "Essa discussão gera uma falsa informação de que o Estado vai perder 26 municípios. Nós não desconsideramos que o M to Grosso do Sul é um Estado é de produtores, agora, o índio é produtor também. Foi o índio também que contribuiu - seja como capataz, seja como camponês das fazendas - para construir tudo isso. Falar de devolução da terra é falar de um resgate da história e um resgate ético para com o primeiro povo dessa terra."
Briga política
A questão toda que ocorre em Mato Grosso do Sul seria briga política, principalmente na Câmara Federal e Senado. "Tem as bancadas ruralistas. Elas têm forte poder. E muito dessa bancada vem daqui de Mato Grosso do Sul. Todos da bancada federal daqui, a meu ver, são favoráveis aos fazendeiros. Nós ficamos, por exemplo, insatisfeitos quando o senador - que é suplente - Valter Pereira (PMDB) tenta fazer passar um projeto que quer transferir do Executivo para o Legislativo o poder de decisão sobre as demarcações. Isso é errado. O próprio nome já diz que quem tem que executar é o Executivo. Não é o Senado quem deve fazer isso. Ele está pensando no momento atual. O Senado é transitório."
As chances de os indígenas ganharem mais vez nas discussões pode estar na eleição de um nome de consenso das comunidades. Estamos conversando forte para que, no ano que vem, nós tenhamos um nome parra candidato a deputado estadual na região de Dourados e outro na região dos povos do Pantanal, também para estadual. A quantidade de pessoas nas aldeias podem ser suficientes para elegermos. Se existe bancada de ruralistas, de fazendeiros, podemos ter um indígena", defende Marcos Terena.
"Ainda não temos os nomes", disse Marcos. mas afirma que as nogociações estão fortes, mesmo sem citar também partidos. No interior, vários indígenas têm experiências políticas como vereadores, além dos representantes que atuam nas Funais regionais.
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